Família Brazão, unida na riqueza e no poder

Envolvidos em várias denúncias, irmãos Domingos e Chiquinho tiveram impressionante evolução patrimonial após entrarem para a política

Por O Dia

Rio - Unidos no poder e na riqueza. Desde que o comerciante Domingos Inácio Brazão trocou ferro-velho às margens da Via Dutra e posto de gasolina em Jacarepaguá pela política, a família Brazão viu prosperar os votos e o patrimônio pessoal. Uma arrancada cercada por denúncias de ligações com quadrilhas de adulteração de combustível e sonegação fiscal e de formação de curral eleitoral em áreas dominadas por milícias.

Nada salta mais aos olhos do que a evolução patrimonial. Domingos, o irmão mais jovem, nas eleições de 2010 avaliou os bens no Tribunal Regional Eleitoral em R$ 5 milhões. Colega de Alerj e adversária política, Cidinha Campos listou mais e enumerou: são 10 postos de gasolina, duas indústrias de café, três comércios de alimentos, um prédio em Jacarepaguá, dois apartamentos de frente para a praia da Barra da Tijuca e carros importados.

O deputado estadual Domingos Brazão (à esquerda) e o vereador Chiquinho Brazão (à direita) foram citados na CPI das Milícias%2C em 2008Uanderson Fernandes / Agência O Dia

TRÂNSITO LIVRE

Chiquinho é mais modesto. Garante que tem R$ 2 milhões em patrimônio: dois apartamentos (um na Barra), três terrenos, bela casa em Cabo Frio, cotas de postos de gasolina, carros e jet-ski. À exceção de um posto, todos os bens dos irmãos foram adquiridos após Domingos chegar à política em 1996 — primeiro à Câmara de Vereadores e, no ano seguinte, à Alerj.

Eleições que os irmãos vencem com expressivas votações. Uma das razões é o centro social mantido pelos Brazão, em Jacarepaguá, e que quase levou Domingos a perder o cargo, em 2011. O Ministério Público o denunciou por abuso de poder econômico por manter uma sociedade de utilidade pública, que é vedada aos políticos. O deputado alegou ser apenas colaborador e a Justiça o devolveu à Alerj.

O assistencialismo explica uma parte dos votos, e o mapa do TRE evidencia outro fenômeno. A relação com as milícias de Jacarepaguá rende acesso fácil às comunidades e a acusação de curral eleitoral pelos adversários. Tanto que Chiquinho, no passado, foi o campeão de votos em Rio das Pedras e Gardênia Azul — redutos onde os políticos ligados a milícias foram presos — e Domingos também abocanhou uma gorda fatia dos votos. Talvez por esta proximidade, os irmãos são citados no relatório da CPI das Milícias como políticos que exercem influências nas favelas comandadas pelos paramilitares.

Trio com participação pouco efetiva

Numa rápida análise do trabalho legislativo dos vereadores Jorginho da SOS (PMDB), Professor Uoston (PMDB) e Renato Moura (PTC), ao longo da década de mandatos, uma coisa fica clara: são econômicos na apresentação de projetos de lei visando ao bem comum do povo fluminense.

Jorginho, por exemplo, entre 2005 e 2013, assinou somente dez leis, das quais apenas duas eram de sua autoria. De 2001 para cá, Uoston assinou cinco leis e foi o autor de quatro propostas. Já Renato Moura, oito e sete, respectivamente, de 2005 até ontem.

ONG serviu de trampolim

Jorginho da SOS viu o caminho da luz em 2000, quando fundou a ONG S.O.S. Comunidades no Complexo do Alemão. Em apenas quatro anos, passou a ocupar uma cadeira na Câmara.

Uoston é professor universitário e o mais antigo dos três na Casa, com quatro mandatos. Renato Moura é dono de óticas. Há um ano, o MP pediu à Justiça Eleitoral a inelegibilidade de Renato, em razão da utilização de centros sociais para fins políticos.

Reportagens de Alessandro Lo-Bianco, Christina Nascimento, Daniel Pereira, Flávio Araújo, Hilka Telles, João Antônio Barros, Marcello Víctor e Raphael Bittencourt

Últimas de Rio De Janeiro