Reunião termina sem acordo e Câmara dos Vereadores continua ocupada

Principal reivindicação dos manifestantes é saída de Chiquinho Brazão, aliado do governo, da presidência da CPI dos Ônibus

Por O Dia

Rio - A reunião entre os manifestantes que ocupam a Câmara Municipal e o presidente da Casa, Jorge Felippe, durou cerca de uma hora e não houve um acordo. O presidente e os vereadores Jefferson Moura, Reimont e Renato Cinco se reuniram com dez manifestantes, neste sábado.

Na segunda-feira, Jorge Felippe vai apresentar aos outros vereadores as propostas dos manifestantes e será feita uma votação para decidir se os pedidos serão aprovados. Os manifestantes que se concentravam na escadaria da câmara deixaram o local pela Rua Evaristo da Veiga. Jorge Felippe tentou sair pelo mesmo local, mas foi xingado pelos manifestantes e retornou para a câmara.

Os manifestantes exigem que o vereador Chiquinho Brazão seja retirado da presidência da CPI dos Ônibus. Segundo o regimento da Casa, entretanto, isso só aconteceria em caso de renúncia do vereador ao cargo. Brazão já deixou claro que não pretende abrir mão da presidência da CPI dos ônibus.

Dificuldade para entrar na Câmara Municipal

Vereadores e funcionários encontraram dificuldades para entrar na Câmara Municipal, onde aconteceu, neste sábado, a reunião entre os manifestantes que protestam contra a composição da CPI dos ônibus e o presidente da Casa, Jorge Felippe.

O vereador Renato Cinco, do PSOL, tentou entrar na Câmara Municipal pelo portão da escadaria, mas foi impedido por policiais que faziam a segurança da entrada. Segundo os policiais, a ordem para quem quisesse entrar na Casa era pedir autorização ao presidente da Câmara. Renato Cinco ainda protestou, afirmou ser parlamentar, mas só conseguiu entrar após ligar para Jorge Felippe.

Já o vereador Jefferson Moura, também do PSOL, conseguiu acesso pela porta lateral, na Rua Evaristo da Veiga. No entanto, uma assessora de Eliomar Coelho, do PSOL, foi impedida ao tentar acesso pela mesma entrada. Segundo o segurança, a assessora só poderia entrar caso tivesse uma autorização por escrito do vereador.

O presidente da Câmara Municipal, Jorge Felippe, chegou ao local por volta de meio-dia, escoltado por policiais militares, que fizeram uma corrente humana para protegê-lo. A entrada do presidente da Câmara foi tranquila. Não havia manifestantes no local.

"Vim para ouvir o que os manifestantes têm a dizer", afirmou. Jorge Felippe também explicou que a polícia militar que está fazendo a segurança da câmara e é ela quem determina quem entra e sai do local. "A entrada da imprensa não depende de mim, mas vou ver o que posso fazer".

O vereador Jefferson Moura enviou um pedido oficial para o presidente, exigindo a entrada da imprensa, que está proibida de participar da reunião.

No fim da tarde, a assessoria da Câmara dos Vereadores emitiu a seguinte nota:

"O presidente da Câmara Municipal do Rio, vereador Jorge Felippe (PMDB), reuniu-se na manhã deste sábado (10/08) com a Comissão de Manifestantes no auditório da Casa. O objetivo foi buscar uma solução pacífica e conciliatória para a desocupação do prédio e viabilização das atividades diárias no Legislativo Municipal. Participaram da reunião os vereadores Reimont (PT), Jefferson Moura e Renato Cinco, ambos do PSOL, Rosa Fernandes (PMDB) e Dr. Jairinho (PSC), primeiro secretário.

No encontro, a Comissão apresentou a pauta de reivindicações:

1. Anulação da reunião de instalação da CPI dos Ônibus e nova reunião para instalar de forma legítima a mesma. A nova reunião deve acontecer no plenário com acesso irrestrito a toda a população;

2. Saída do vereadores da base de governo;

3. Reivindica-se que só possa participar da CPI os vereadores que assinaram o requerimento de instalação;

4. Que o autor do requerimento da CPI dos Ônibus, vereador Eliomar Coelho, seja o presidente da Comissão;

5. Que todas as reuniões sejam programadas e divulgadas com antecedência e garantam a participação popular irrestrita.

O vereador Jorge Felippe informou que a presidência da Mesa Diretora da Casa não tem prerrogativa para atender tais demandas, por representarem prática de ilegalidade e descumprimento do que estabelece a legislação em vigor - o Regimento Interno, a Lei Orgânica Municipal e a Constituição Federal, com exceção do item cinco da lista de demandas. A Câmara Municipal do Rio já divulga, em tempo real, através dos seus canais de comunicação, todas as ações e atividades legislativas. Assim como o acesso da população às reuniões e audiências públicas também estão garantidos, respeitando-se a capacidade de lotação dos espaços disponíveis no prédio. Como alternativa, foi proposta uma reunião na próxima segunda-feira, com todos os vereadores, para discussão da pauta de reivindicações.

Após o encontro, os manifestantes decidiram permanecer ocupando o plenário da Casa"

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