Pelo fim dos confrontos e por uma ação humana

Especialista contesta, em novo livro, a política de enfrentamento nas favelas cariocas

Por O Dia

Rio - G. viu o filho de apenas 8 anos ser morto pela polícia no portão de casa quando voltava da escola. Por conta de tiroteios durante ocupação no Complexo do Alemão, em 2007, F. se trancafiou em casa com os filhos por quatro dias sem poder sair para comprar comida, e só bebendo água da torneira. Sem poder voltar para casa, após o trabalho, F. teve muitas vezes que dormir nas ruas.

Histórias sofridas de moradores de favelas do Rio contadas no livro ‘Vivendo no Fogo Cruzado’ revelam um retrato vivo do violento processo de tentativa do governo do Rio de retomar territórios da criminalidade nos últimos anos. A obra, de autoria de Maria Helena Moreira Alves e Philip Evanson, contesta a política de confronto com os marginais e traficantes, empregada ainda hoje pela Polícia Militar fluminense. E dá voz aos moradores que suportam o cotidiano de terror nas comunidades expostas simultaneamente à truculência de policiais, mal remunerados e mal preparados e milicianos e traficantes.

Na obra, os autores explicam como a PM, filha da Guarda Real, nascida por decreto assinado pelo príncipe regente D. João VI em 1809, para policiar ruas e proteger a população, inverteu-se a partir da ditadura militar, quando passou a servir ao estado no combate ao “inimigo interno”, ou seja, os opositores do regime. E que, após a redemocratização, adotou novo “inimigo interno”, os traficantes de drogas, mantendo a antiga mentalidade.

Os autores questionam o futuro das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e apontam rumos possíveis para a segurança pública no país, a partir de experiências internas e do exterior. Uma delas é o[...] de policiamento comunitário que pode ser [...]o início da substituição do modelo arcaico, violento e autoritário, por outro democrático[/...]. O livro será lançado nesta quarta-feira, às 19h, na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), com a presença de parentes de vítimas, como um dos filhos do pedreiro Amarildo.

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