Por tamyres.matos

Rio - Dois anos após a tragédia do bonde de Santa Teresa, o governo do estado publicou ontem no Diário Oficial licitação para o projeto de reforma, ampliação e restauração de estações, paradas, oficinas e o museu dos veículos.

A concorrência para a compra dos 14 bondes que vão operar nas linhas do bairro aconteceu no início do ano e os veículos estão sendo fabricados. As obras para a preparação da via e colocação dos novos trilhos estão em andamento e a previsão é de que o início das operações ocorra em julho de 2014.

Antes desse prazo, porém, o governo do estado já espera ter transferido as operações do bondinho para a prefeitura. A Secretaria Estadual da Casa Civil confirmou ontem as negociações para que o meio de transporte seja reinaugurado sob o comando da administração municipal. Segundo a Casa Civil, o motivo da transferência é de que o serviço é um transporte restrito a turistas e moradores de Santa Teresa e que a própria prefeitura está implantando um sistema de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) para o Centro do Rio.

Manifestantes levam réplica do bondinho para o protesto no Leblon%2C próximo à residência do governadorJoão Laet / Agência O Dia

O investimento total estimado pelo governo do estado na renovação do sistema é de R$ 110 milhões. Já a licitação publicada ontem tem o valor estimado em R$ 948 mil e vai acontecer no dia 30 de setembro. Os novos bondes que estão em fabricação ainda não têm o modelo pronto, mas terão capacidade menor: 24 lugares, contra 32 da versão anterior. O trajeto ganhará 3,3 quilômetros e irá do Silvestre à Lapa.

Manifestação em frente à rua de Cabral marca a data do acidente

Cerca de 40 pessoas da Associação dos Bondes de Santa Teresa e do Movimento Fora Cabral realizaram manifestação ontem no Leblon. Os manifestantes tentaram entrar na Rua Aristides Espíndola, onde mora o governador Sérgio Cabral Filho, com uma réplica do bonde, feita pelo artesão Getúlio Damado, mas foram impedidos pela Polícia Militar.

Além dos dois anos da tragédia, o motivo do protesto é exigir do governo mais esclarecimentos sobre o projeto de revitalização do sistema. “Há falta de transparência do governo com a população. O correto seria haver um diálogo maior com os moradores, explicando tudo que o bairro e o bonde precisam”, reclamou Luiz de França Santos, conhecido como Zod, designer gráfico e morador de Santa Teresa.

Zod também defende que o novo modelo preserve as características do anterior. “A reforma tem que ser feita, mas respeitando as formas originais do bonde”, encerra.

SEM PUNIÇÃO, TRAGÉDIA FAZ DOIS ANOS

O acidente do bonde número 10, de Santa Teresa, que matou seis e feriu 56 pessoas, completou dois anos ontem. Ninguém ainda foi punido, apesar do acúmulo de indícios de omissão e falta de responsabilidade.

Um deles é o relatório que, dois meses antes da tragédia, foi entregue ao secretário estadual de Transportes, Julio Lopes, pedindo investimentos de R$ 60 mil para melhorar a segurança do sistema. Nada foi feito.

Outra sindicância, da Central Logística, órgão do estado, apurou que, no mesmo dia do acidente, o bonde 10 se envolveu numa colisão com um ônibus que teria comprometido a segurança. O veículo não foi levado à oficina e continuou a pegar passageiros.

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