Por tamyres.matos

Rio - Um homem passa pela favela com um boné virado na cabeça. Outro caminha segurando maço de cigarro na mão esquerda. Alguns podem estar vestidos com camisas vermelhas e cabelos pintados. Em comum, todos se comunicam com os outras pessoas através de SMS, os populares ‘torpedos’ de celular. Os comportamentos, acima de qualquer suspeita, se transformaram, justamente por isso, em códigos entre traficantes e usuários de drogas em áreas com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

As novas táticas permitem identificar consumidores e bocas de fumo, que passaram a ser itinerantes após a pacificação, e, principalmente, ajudam a driblar a polícia. Nos complexos do Alemão e da Penha, por exemplo, o consumo de drogas é ‘interno’, ou seja, usuários e criminosos se conhecem, o que facilita o tráfico.

Para dificultar a ação da PM nas UPPs%2C o tráfico usa celulares e vaporesAlessandro Costa / Agência O Dia

“Antes da UPP, os pontos de vendas de drogas eram fixos, com grande quantidade de drogas nesses locais, por isso havia necessidade de traficantes fortemente armados em pontos estratégicos para confrontar a polícia. Com a ocupação, a dinâmica foi completamente alterada: a quantidade de drogas nesses locais dificilmente ultrapassa o número de dez papelotes de cocaína ou maconha, fazendo com que, se presos, sejam autuados pela Polícia Civil como usuários, fato que os leva a voltar ao tráfico”, explicou o comandante da UPP da Vila Cruzeiro, capitão Vinícius Apolinário.

DE PAI PARA FILHO

Na Mangueira, por exemplo, traficantes usam as casas de parentes para armazenar a droga. A comunidade tem o histórico do tráfico familiar, que passa de pai pa</MC>ra filho há mais de 40 anos.

As novas estratégias também são empregadas na hora de entregar o entorpecente. Para evitar que sejam pegos com o material, traficantes passaram a entregar a droga num copo de plástico, que é amarrado a uma corda e jogado da laje.

“Outro meio muito utilizado é o indivíduo que faz a intermediação do tráfico. Ele recebe o dinheiro, vai até o local da droga e traz para o usuário apenas o entorpecente, dificultando a localização das grandes cargas”, disse o oficial. E toda a transação do tráfico passou a ser feita por esses ‘torpedos’.

Fuzis prontos para a guerra

As novas táticas também se estendem às armas. Com a tomada do território pela PM, traficantes deixaram de andar pelas comunidades exibindo pistolas e fuzis. No entanto, eles permanecem nas favelas, mas escondidos em pontos estratégicos.

No Alemão, por exemplo, eles estão espalhados pelas favelas, mas, segundo a polícia, são de fácil e rápido acesso quando os traficantes querem promover confrontos com a PM.

Usar crianças e adolescentes para transportar drogas também tem sido a tática usada pelos criminosos, como O DIA noticiou em fevereiro. Pessoas sem antecedentes criminais estariam sendo cooptadas pelo tráfico para facilitar a entrada e saída da drogas das favelas, driblando a polícia.

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