Por tamyres.matos

Rio - O terror com hora marcada, praticado por homens bem treinados. Ao assumir em setembro do ano passado a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na Rocinha, o major Edson Santos levou uma novidade a tiracolo: 20 PMs que passaram por cursos de guerra e selva do Batalhão de Operações Especiais (Bope) para combater o tráfico de drogas em ações constantes e noturnas. A tropa era vista, quase sempre, usando uniforme preto, diferente do oficial azul claro e escuro, padronizado pela PM para as equipes das unidades pacificadoras.

UPP da Rocinha recebeu o reforço de homens altamente treinados que fizeram operação secreta no dia em que o pedreiro Amarido desapareceuMaíra Coelho / Agência O Dia

Entre as atividades atribuídas à equipe especial estava a obstinação do comandante por localizar as armas escondidas pelos traficantes, em especial os fuzis. Foi com esta missão que a tropa se reuniu para realizar uma operação secreta na Rocinha no dia em que ajudante de pedreiro Amarildo de Souza sumiu, em 14 de julho, após ser preso por PMs. O comandante pediu inclusive reforço à Polícia Civil para o que grupo classificava como “o dia da guerra”.

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O major Edson estava obcecado por localizar as armas — parte remanescente do arsenal deixado pelo traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, preso antes da ocupação do morro pela PM. Foi justamente pela determinação de rigidez, que a sua ‘tropa especial’ passou a agir sempre à noite, e com acusações de seguidas agressões a moradores e usuários de drogas.

A cada interpelação era um interrogatório e nem sempre com psicologia moderna. Tanto que associação de moradores, Polícia Civil e Ministério Público passaram a registrar um aumento nas denúncias de agressões, que aconteciam com maior frequência com a equipe da noite.

O major Edson Santos%2C da UPP%2C pediu reforço à Polícia Civil para o que teria classificado como o ‘dia da guerra’Alessandro Costa / Agência O Dia

Os 20 policiais estavam na turma dos agentes que em fevereiro e março do ano passado foram afastados do Bope após a recusa de combater os colegas em greve. Transferidos por castigo para os batalhões do interior — a maioria em Campos, Macaé e Nova Friburgo —, os caveiras foram recrutados pelo major, que também teve passagem ela unidade especial da PM. As nomeações foram publicadas no boletim interno da corporação, em setembro, mas como eles passaram por outros batalhões, a nova acomodação não chamou a atenção.

O estilo ‘trator’ do comandante

O estilo “trator” do major Edson Santos causou arranhões na Rocinha. Um deles com a associação de moradores, após implicar e remover o patrocínio feito por uma empresa de telefonia para a exibição da logomarca nos coletes de identificação de mototaxistas.

O policial, que passou antes da UPP pela Operação Barreira Fiscal, da Secretaria de Governo do Estado, foi nomeado com a recomendação de um secretário influente no Palácio Guanabara. A indicação, inclusive, magoou alguns políticos com bom trânsito na Rocinha e que preferiam um policial mais ‘light’.

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