Por tamyres.matos

Rio - O mar não está para peixe para Eike Batista. Depois de ver o valor de suas ações despencar, ele agora se desfaz do barco que outrora era sua menina dos olhos: com 54 metros de comprimento e capacidade para 400 passageiros, o Pink Fleet não está mais ancorado na Marina da Glória. Foi levado para o estaleiro Cassinú, em São Gonçalo, onde deve ser desmanchado. Procurada por O DIA, a EBX não quis comentar o assunto. A notícia se soma à da possível concretização da venda do Hotel Glória.

Eike chegou a procurar compradores para a embarcação, mas não foi bem-sucedido. Também houve tentativa de doá-lo à Marinha, o que também não foi adiante.Com mais de 300 toneladas, o Pink Fleet, de 1973, tinha custo mensal de cerca de R$ 300 mil mensais. Somente o pagamento do capitão para este tipo de embarcação não saía por menos de R$ 15 mil. Nos últimos meses, não havia tribulação a bordo. O barco também já havia deixado de sediar eventos e fazer passeios turísticos.

Pink Fleet%2C barco de luxo usado para passeios e festas na Baía de Guanabara%2C passou meses à venda%2C sem interessados%2C e agora será desmontadoReprodução

“Era um barco muito dispendioso. Além disso, não conseguia sair da Baía de Guanabara. E balançava demais. Corria o risco de cair para um lado e não voltar, como o Bateau Mouche”, afirma Alexandre Antunes, presidente do conselho da Associação dos Usuários da Marina da Glória (Assuma), referindo-se ao barco que virou na Baía de Guanabara, no Réveillon de 1988/1989, deixando 55 mortos. “Era um grande elefante branco”, afirma ele.

Projeto para a Marina ameaçava Roberto Carlos

O desmanche do Pink Fleet é mais uma derrota na ‘Briga de Reis’, que O DIA vem detalhando desde fevereiro. O projeto de Eike para a Marina da Glória desalojaria dezenas de barcos nas vagas secas, incluindo o Lady Laura IV, de Roberto Carlos. A intenção era construir ali um shopping e um centro de convenções, compondo com o novo Hotel Glória.

Lojistas do atracadouro iniciaram reação, com medo de perder o emprego. No fim de maio, a Justiça cancelou o contrato de concessão, o que inviabilizaria as reformas planejadas. No início de junho, o Iphan reprovou o projeto.

Enquanto Eike apanhava nos tribunais, as obras de reforma do Hotel Glória se arrastavam. A queda das ações da EBX e das subsidiárias levou o empresário a buscar um novo dono. De acordo com a revista ‘Veja’, o fundo suíço Acron assinou contrato de exclusividade para comprar o Hotel Glória. Avaliada em R$ 225 milhões, a operação seria operada pelo Bradesco BBI. A EBX não quis comentar o assunto.

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