Polícia descobre linha de montagem para clonar carros roubados na Maré

Esquema de criminosos ‘esquenta’ documentação. Após assaltos, automóveis viram cópias perfeitas de legalizados

Por O Dia

Rio - Uma verdadeira linha de montagem de veículos foi instalada no Complexo da Maré. Dali saem carros de vários modelos, alguns deles vendidos por preço bem abaixo do mercado. Seria ótimo para o consumidor, caso os automóveis não fossem fruto de uma ‘fábrica de clonagem’ comandada por criminosos das favelas Nova Holanda e Parque União. O lucrativo esquema foi descoberto por agentes da Polícia Civil e virou alvo de minuciosa investigação.

De acordo com o levantamento, os carros roubados viram cópias perfeitas de veículos legais, que circulam pela cidade e não levantam suspeitas. Somente na semana passada, quatro modelos foram apreendidos pela polícia na área da Maré, todos roubados. Para funcionar, o esquema tem autorização do tráfico que, em troca, recebe uma parte dos lucros.

Civil descobre esquema de criminosos do Complexo da Maré que ‘esquenta’ documentaçãoArte O Dia

Na linha de montagem do crime, cada um tem sua função definida, como se fossem funcionários de uma fábrica de verdade. Um grupo especializado em roubos de veículos revende a outro, responsável por ‘esquentar’ automóvel. Praticamente todos os itens de segurança são falsificados: chassi, vidros, etiquetas e documentação. Todos os números são copiados de outros carros por um bando que trabalha com o levantamento de dados — em postos de gasolina, oficinas mecânicas ou nas ruas. Os ‘olheiros’ anotam as informações de veículos comuns e repassam aos falsificadores.

Com o clone pronto, a quadrilha revende o material para compradores. Geralmente, segundo policiais, a maioria segue para estados do Nordeste, onde a vistoria de órgãos reguladores não é feita anualmente. Outros viram moeda de troca para a aquisição de armas e drogas, em países vizinhos como Bolívia, Colômbia, Peru e, principalmente, o Paraguai.

Ainda segundo os agentes da Polícia Civil, é muito difícil para os donos de veículos escaparem da clonagem, já que os falsificadores copiam os dados em locais públicos e de uso comum por motoristas, sem serem notados.

Valor do negócio varia conforme o grau de perfeição da clonagem feita

O esquema é tão organizado que os criminosos estipulam o valor de venda do carro de acordo com a qualidade das clonagens. Os considerados top de linha são revendidos quase a preço de mercado, já que a falsificação muitas vezes não é percebida nas vistorias de departamentos de trânsito.

Já os menos qualificados — que enganam somente à primeira verificação —, são repassados bem abaixo do valor real de mercado. Segundo policiais civis, um veículo que custa R$ 35 mil pode ser vendido por R$ 10 mil, se o resultado da cópia não for tão fiel ao original. Já os clones de ‘melhor qualidade’, podem custar ao consumidor até R$ 30 mil, quase o preço de um carro zero quilômetro, dependendo do modelo e da marca.

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