Por adriano.araujo

Rio - A visita da Comissão da Verdade do Rio às instalações do antigo DOI-Codi na próxima sexta-feira, às 10h, foi suspensa após veto do Exército. O órgão, que na ditadura foi o principal centro de torturas de presos políticos no Rio, funcionava no interior do 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca, Zona Norte.

De acordo com a comissão, a proibição foi motivada pela presença da deputada federal Luiza Erundina (PSD-SP), autora do projeto que prevê a revisão da Lei da Anistia para que agentes do Estado que cometeram violações como torturas, mortes e desaparecimentos de adversários políticos possam ser julgados e punidos.

O presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB e da Comissão da Verdade do Rio, Wadih Damous, lamentou o veto e afirmou que “infelizmente os ventos da democracia não sopraram no Exército brasileiro”.

Ainda segundo Wadih, vetar a presença de parlamentares por motivos políticos ou ideológicos “mostra uma nostalgia dos tempos ditatoriais”. “Nenhum quartel do Exército é propriedade privada dos militares, mas sim do povo brasileiro que, com os seus impostos, constrói esse país”, afirmou.

Comissão da Verdade foi impedida de entrar em instalações do antigo DOI-Codi, no dia 21 de agostoJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

No dia 21 de agosto, a comitiva organizada pela Comissão da Verdade foi impedida de entrar no local. O comandante da unidade, o tenente-coronel Luciano, alegou ter recebido ordens superiores para não deixar que os integrantes da comissão tivessem acesso ao prédio onde funcionava o DOI-Codi.

Por conta da situação criada, será levado à votação no plenário do Senado um requerimento, de autoria do senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP), que aprova a visita do grupo ao DOI-Codi, sem vetos por parte do Exército.

Na visita desta sexta-feira, Erundina participaria da comitiva, ao lado dos senadores Randolfe, João Capiberibe (PSB-AP) e Ana Rita (PT-ES), do deputado Ivan Valente (PSol-SP) e de representantes da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão da Verdade do Rio.

O DOI-Codi foi o principal centro de torturas no Rio de Janeiro durante a ditadura militar e a visita ao prédio em que funcionou seria o primeiro passo de uma campanha para transformá-lo num centro de memória.

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