Ação de 'piratas' causou naufrágio na Baía de Guanabara

Operação para flutuação e desencalhe de navio começa nesta quinta-feira

Por O Dia

Rio - A ação de “piratas” foi responsável pelo naufrágio parcial do navio Angra Star e pela possibilidade de desastre ambiental nas águas da Baía de Guanabara. De acordo com o secretário estadual de Meio Ambiente, Carlos Minc, o saque de peças da embarcação abandonada causou o vazamento de cerca de 150 mil litros de água e combustível no interior do cargueiro de contêineres. A ação criminosa teria afetado a estabilidade do navio, que já encontra-se com um terço de seu volume submerso.

Outros 90 mil litros de óleo estão em um tanque lacrado na parte seca da embarcação e também são motivo de alerta. Mesmo assim, o Instituto Estadual do Ambiente afasta a possibilidade de vazamento imediato de combustível nas águas da baía. Uma operação para retirada do óleo foi iniciada ontem. Já os trabalhos para flutuação e desencalhe do navio devem começar hoje por equipes da Transpetro.

Empresa responsável pela embarcação, a Frota Oceânica e Amazônica S. A. chegou a ser notificada pelos problemas encontrados em inspeção feita pelo Inea, mas alegou não ter condições para solucionar as irregularidades apontadas. Outros três navios da empresa encontram-se em situação de abandono nas águas da baía. Um deles está encalhado e também será inspecionado nesta quinta-feira.

“Além de multas aplicadas por omissão e condutas lesivas ao meio ambiente, a empresa será obrigada a custear a operação para contenção do risco ambiental. Caso alegue não ter condições, a embarcação salva pode ser leiloada. Em caso de desastre de grandes proporções, um inquérito federal será aberto”, garantiu o secretário, sem definir o valor das sanções.

Navio encalhou na Baía de GuanabaraEstefan Radovicz / Agência O Dia

Empresa diz que paga se houver danos

A Frota Oceânica e Amazônica S.A. se defende das acusações de omissão e se compromete a ressarcir o estado por possíveis danos ao meio ambiente.

“Foi a empresa que noticiou às autoridades o roubo de peças e situação de abandono, no dia 9. As embarcações de nossa propriedade estão estacionadas legalmente e, no caso de multas, caberá ao proprietário, José Fragoso Pires, arcar com as despesas”, disse o advogado da empresa, Francisco Gaiga. 

Segundo ele, para afastar problemas, a empresa já havia tentado vender os barcos, o que não foi possível por estarem hipotecados. Os navios abandonados integram o “cemitério da Baía”. Um conjunto de cerca de 100 embarcações inoperantes ou naufragadas. A Polícia Federal investiga roubos praticados nesses navios por saqueadores marítimos, conhecidos como "piratas".

Riscos a peixes e banhistas

Motivo de pânico entre especialistas, o vazamento de óleo nas águas representa grande risco à biodiversidade da baía. Um litro do combustível, derramado sobre a superfície marítima, ocupa um grande espaço, o que aumentaria de acordo com as proporções do desastre. A camada de combustível impede a entrada de luz solar e a troca de gases na água, o que é fundamental para a vida aquática.

“Animais podem morrer e causar grande desequilíbrio. A qualidade da água também pode ser afetada para banhistas”, explica o oceanógrafo da Uerj, David Zee.

O especialista lembra que o naufrágio também ex põe uma grande superfície de metais do navio à água salgada, que é extremamente corrosiva. “As substâncias produzidas por este contato direto também podem ser nocivas ao meio ambiente”, garantiu.

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