Visita de comitiva a prédio do antigo DOI-Codi é marcada por protesto e confusão

Houve discussão entre deputado Jair Bolsonaro e integrantes da Comissão da Verdade do Rio

Por O Dia

Rio - A visita de uma comitiva de parlamentares federais e representantes de comissões da Verdade e do Ministério Público às instalações do prédio que abrigava o Destacamento de Operações de Informações-Centro de Defesa Interna (DOI-Codi), na época da ditadura, terminou em confusão nesta segunda-feira.

Antes da entrada de alguns representantes, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) e Wadih Damous, presidente da Comissão da Verdade do Rio se desentenderam. Bolsonaro reivindicava acesso ao prédio e após discussão, ele teria acertado um soco na barriga de Randolfe.  O deputado entrou no local, mas não acompanhou a comitiva.

Deputado Jair Bolsonaro discute com Wadih Damous, presidente da Comissão da Verdade do RioTânia Rêgo/ABr

"É uma provocação o Bolsonaro estar aqui. Ele não vai entrar com a comitiva porque não tem nada a ver com a nossa pauta, que é a busca pela verdade", disse Damous.

Bolsonaro, por sua vez, disse que sua presença é importante para que haja debate. "Minha presença não é provocação. Essa Comissão da Verdade do Rio não aceita o contraditório, quer ser unanimidade", afirmou o deputado, que ainda opinou sobre as torturas realizadas no antigo prédio. "Tortura é arma de guerra e se pratica no mundo inteiro".

O grupo de aproximadamente 60 pessoas esteve no local, na Tijuca, Zona Norte da cidade, com faixas e cartazes. 

Na foto%2C cartazes com as fotos de torturados e desaparecidos na época%2C durante manifestação em frente ao batalhãoSeverino Silva / Agência O Dia


O Doi-Codi unificava a repressão política no regime militar. Ele funcionava num imóvel de dois andares no interior do I Batalhão da Polícia do Exército, na Tijuca, e foi o principal centro de torturas durante a ditadura.

A visita às suas dependências é o primeiro passo de uma campanha para tombar o local e transformá-lo num centro de memória, a exemplo do que foi feito no antigo Dops de São Paulo e em centros de tortura na Argentina, no Uruguai e no Chile.

A comitiva é composta pelos senadores Ana Rita (PT-ES), João Capiberibe (PSB-AP) e Randolfe Rodrigues (Psol-AP); pelos deputados Ivan Valente (Psol-SP) e Luiza Erundina (PSB-SP); pelo procurador Regional dos Direitos do Cidadão, Jaime Mitropolos; e pelos integrantes da Comissão da Verdade do Rio Wadih Damous (presidente da comissão), Álvaro Caldas, Marcelo Cerqueira e Nadine Borges, os dois últimos representando a Comissão Nacional da Verdade.

Psol vai protocolar representação contra Bolsonaro

Psol vai protocolar representação contra o deputado Jair Bolsonaro por quebra de decoro parlamentar. Bolsonaro teria agredido fisicamente o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP).

O presidente do Psol e líder do partido na Câmara, deputado Ivan Valente (Psol - SP), informou que será dada entrada a uma representação contra Bolsonaro no Conselho de Ética da Câmara por quebra de decoro, com agravante de agressão física a um senador da República. “Ele usou de violência contra um senador, e há muitas testemunhas. O Bolsonaro, mais uma vez, extrapola todos os limites”, afirmou Ivan Valente.

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