Deputados vão à Câmara para tentar desfazer cerco policial

Cerca de 500 professores saíram da Prefeitura em direção à Cinelândia para se juntar aos grevistas. PMs fizeram uso de spray de pimenta para dispersar manifestantes no entorno

Por O Dia

Rio - Para desfazer o cerco policial formado na Câmara dos vereadores na manhã desta segunda-feira, o vereador Eliomar Coelho (PSOL) convocou deputados estaduais e federais para intervir e dialogar com os PMs. O deputado federal Chico Alencar (PSOL) já encontra-se no local. Estão se dirigindo para a Câmara os deputados Molon (PT), Robson Leite (PT), Luiz Paulo (PSB) Comte Bittencourt (PPS) e Marcelo Freixo (PSOL).

Câmara é fechada e PMs reforçam policiamento no interior do localfornecida pelo gabinete do vereador Renato Cinco

O clima está bem tenso no entorno e, segundo membros do Sindicado Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe), cerca de 500 docentes saíram da frente da Prefeitura do Rio, na Cidade Nova, e estão seguindo em direção ao Palácio Pedro Ernesto para se juntar aos outros grevistas. Os professores que estão acampados no local desde quinta-feira estão entre o bloqueio da PM e não podem transitar no espaço.

A reunião que seria realizada entre o líder do governo na Câmara, vereador Guaraná (PMDB), e membros do Sepe, foi remarcada para às 14h30 desta segunda. Os professores estão protestando a retirada dos PMs no entorno da Casa, além da votação do plano de cargos e salários e questionando a entrada de um funcionário do legislativo. Eles alegam que se uma pessoa pode entrar no local, os professores também podem.

Os grevistas querem impedir a votação do plano de cargos e salários da categoria, que segundo o Sepe, não atende a 93% da classe e foi elaborado sem a participação de membros do sindicato - o que foi prometido em negociação com a prefeitura para o fim da primeira greve.

O plano com as emendas será apresentado nesta segunda-feira às comissões da Câmara.

Na manhã desta segunda, policias cercaram a lateral do Palácio Pedro Ernesto, nos acessos pela Rua Alcindo Guanabara. O interior da Câmara dos Vereadores está sitiado por guardas municipais em todos os andares e também há homens do Batalhão de Choque. 

Por volta das 15h da tarde uma confusão se formou quando um grupo de PMs tentou passar pelo local onde estão os manifestantes. As pessoas gritaram palavras de ordem contra o cerco policial, impedindo a passagem, e os PMs fizeram uso do spray de pimenta para dispersar os grevistas. 

Presidente da Comissão de Educação é contrário ao governo

Presidente da Comissão de Educação e Cultura da Casa, o vereador Reimont (PT) criticou, na manhã desta segunda-feira, o plano de cargos e salários e também as 30 emendas apresentadas pelos vereadores da base governista, que estão a favor do novo projeto de lei apresentado pelo executivo. Segundo o vereador, as propostas não atendem à categoria. "É um plano econômico e não de carreira. Visa beneficiar a fundação Roberto Marinho, Sangari, Ayrton Senna, entre outras. A secretária (Cláudia Costin) não está entendendo que os professores são capazes de criar seu próprio método pedagógico. A autonomia pedagógica tem que ser respeitada", afirmou.

Professores protestam contra cerco policial no entorno do Palácio Pedro ErnestoSeverino Silva / Agência O Dia

Apesar de ser do bloco do governo, Reimont se opõe às propostas do prefeito Eduardo Paes para a categoria, sendo o único vereador do PT a não apoiá-lo.

"Sou do PT, da aliança com Eduardo Paes, mas compreendo isso não como uma algema, mas como parceria. Nao tenho que deixar de ser eu por conta das parcerias", justificou o político. Ele também acrescentou que uma aliança tem que ter programa. "Em relação ao governo, alguns ítens não tem programa de política para habitação e população de rua, por exemplo. Desde sempre eu estou discutindo dentro do PT que nós temos que implementar isso", disse.

Apenas 12 políticos da Casa estão apoiando os docentes. Além de Reimont, os quatro representantes do PSOL, como Eliomar Coelho, Renato Cinco, Paulo Pinheiro e Jefferson Moura; Leonel Brizola Neto (PDT) e César Maia (DEM), Comte Bittencourt (PPS), entre outros.


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