Por thiago.antunes

Rio - A Polícia Civil interditou nesta segunda-feira três galpões da prefeitura no Rocha, na Zona Norte, com toneladas de medicamentos e insumos com datas de validade vencida. A operação foi resultado de uma denúncia enviada ao Ministério Público. Um inquérito civil será instaurado para apurar possíveis atos de improbidade administrativa por danos ao patrimônio.

No local, foram encontradas de seringas descartáveis até remédios para soropositivos e vacinas para febre amarela e gripe. De acordo com a Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Saúde do Ministério Público, que comandou a ação, havia medicamentos controlados de alto risco como a Talidomida, mantidos em condições de higiene e conservação insalubres. Uma perícia será feita hoje no depósito para detectar a quantidade exata dos produtos e o motivo do desperdício.

No galpão localizado no Rocha%2C foram encontradas de seringas descartáveis até remédios para soropositivos e vacinas para febre amarela e gripeDivulgação

‘Descarte’

Através de nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que os galpões são utilizados para descarte de resíduo sólido sem a possibilidade de distribuição dos materiais para unidades da rede. O órgão disse ainda que o depósito tem em estoque produtos desde 2010 e estes só podem sair de lá para serem incinerados. Ontem, uma licitação foi realizada na prefeitura para contratação de uma empresa especializada no procedimento. O menor preço oferecido foi de R$ 239 mil e o contrato será válido por um ano. A secretaria ainda não sabe quando a incineração será realizada.

Produtos para reforço alimentar também foram encontradosDivulgação

Até a noite desta segunda, a prefeitura não tinha divulgado o valor do prejuízo dos produtos. Em avaliação preliminar do MP, a expressiva quantidade de medicamentos “é de custo significativo para os cofres públicos”, conforme descrito em nota. A Delegacia do Consumidor vai acompanhar a apuração do caso.

Cremerj diz que desperdício é grave e atinge todo país

Para o coordenador da Comissão de Saúde Pública do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio (Cremerj), Pablo Vasquez, o desperdício de medicamentos e produtos hospitalares é grave e atinge todo país.

“O controle deveria ser mais rígido. Se os produtos sobram no município, eles deveriam ser remanejados para o estado e até para o governo federal antes de seus vencimentos. É lamentável que no mundo em que vivemos ainda ocorra esse tipo de prejuízo com tanta gente precisando”, opinou Pablo.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que, desde de julho deste ano, uma nova central de distribuição de medicamentos e materiais cirúrgicos foi implantada em Jacarepaguá, com objetivo de reduzir o desperdício. Desde o seu funcionamento, o município contabiliza descarte inferior a 1%, o que é caracterizado como aceitável pelo órgão. No ano passado, 899 milhões de medicamentos foram distribuídos para 330 unidades.

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