Por adriano.araujo

Rio - Além do prédio sede do Consulado de Angola, onde a loja do térreo, de uma operadora de celular, foi destruída e furtada, 23 agências bancárias, apenas na Avenida Rio Branco, foram depredadas nos atos de vandalismo que se seguiram à manifestação da noite de segunda-feira, no Centro.

Depois que um ônibus foi incendiado, as linhas que saem ou passam pelo Centro da cidade foram retiradas de circulação, prejudicando centenas de pessoas que queriam voltar para casa. "Quero ir para a Ilha do Governador e não consigo", contou a promotora de eventos Viviane Mendes Ribeiro, de 24 anos.

Ato de apoio aos professores reuniu milhares de pessoas nas ruas do Centro do RioFoto%3A André Mourão / Agência O Dia

"Estamos há duas horas aguardando e não tem ônibus. O que vamos fazer?", questionavam as amigas Stephanie Geisa, 26, e Claudia Regina dos Santos, 41, funcionárias de um supermercado na Zona Sul, que aguardavam condução na Central do Brasil.

Depois da confusão, 15 pessoas foram levadas pela PM para a 5ª DP (Mem de Sá), prestaram depoimentos e foram liberadas. Quem também foi parar na delegacia foi o guarda municipal César Vitório, onde registrou queixa de agressão. "Vieram para cima de nós, entramos na viatura, mas quebraram os vidros e me feriram na cabeça", contou o agente, que foi atendido por socorristas voluntários.

No cenário de batalha campal que virou a Cinelândia, no entanto, pelo menos uma pessoa tinha o que comemorar. Com a carroça lotada de ferro e outros materiais recicláveis, Luiz Afonso Leal, 56, acompanha o noticiário para conseguir lucro no fim dos tumultos.

"Fico em minha casa na Praça da Cruz Vermelha esperando e, quando a confusão acaba, venho para cá. Hoje tem uns 300 quilos, vai render pelo menos R$ 50 no ferro-velho", explicou bem-humorado o carroceiro, que não deixa de criticar o quebra-quebra. "Eles deviam quebrar o palácio do governo e não as lojas. Tem trabalhadores que dependem disso para viver", ponderou.

Ato termina em destruição

Uma manifestação que começou pacífica no Centro do Rio com mais de 50 mil professores da rede municipal terminou mais uma vez de forma violenta. No dia em que a greve dos profissionais da educação completou dois meses, milhares de servidores tomaram as ruas do Centro do Rio.

Por volta das 20h, grupos de radicais encapuzados do grupo Black Bloc iniciaram depredações em ruas próximo à Câmara dos Vereadores, na Cinelândia. O prédio Pedro Ernesto foi pichado e as vidraças quebradas. Um ônibus foi incendiado na Rua Santa Luzia e passageiros de diversos coletivos, colocados para fora. Radicais tentaram atear fogo em veículos.

Mais cedo, Tribunal de Justiça negou recurso dos professores municipais contra a liminar que determinou o retorno às salas de aula. Por maioria de votos, o Órgão Especial do TJ negou pedido do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe-RJ).

A Prefeitura do Rio está autorizada a descontar os dias parados dos grevistas. O corte do ponto poderá ser retroativo a 3 de setembro, data em que o sindicato foi intimado da liminar que os obrigou a retornar, sob multa diária de R$ 200 mil.

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