Por thiago.antunes

Rio - As duas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) do Complexo do Lins, ocupado por forças de segurança no domingo, devem ser inauguradas em até 45 dias, nos morros da Cachoeira Grande e Camarista Méier. O efetivo será de 480 homens.

Nesta segunda-feira, as 13 comunidades que serão beneficiadas diretamente com a pacificação começaram a receber serviços públicos básicos, como limpeza, saneamento e iluminação pública. Moradores, desconfiados, ainda adotam o silêncio e evitam a imprensa. Nesta segunda, o dia foi de ‘arrumar a casa’. Um grupo de 50 garis esteve na Cachoeira Grande, e seis deles trabalharam fazendo rapel para retirar o lixo das encostas. Eles também instalaram papeleiras, limparam praças, pintaram e consertaram brinquedos. Contêineres serão instalados para evitar o descarte de forma irregular. A carcaça de um carro chegou a ser removida de um valão na favela.

Gari faz rapel para limpar encosta na Cachoeira Grande%3A Lins receberá a 35ª e a 36ª UPPs do Estado do RioAlessandro Costa / Agência O Dia

Simultaneamente, técnicos da Rioluz restabeleceram a iluminação em 40 pontos. Disjuntores colocados por bandidos em postes para acender e apagar lâmpadas também foram recolhidos. Equipes da Cedae também consertaram vazamentos. Já a Defesa Civil instalou e testou 17 conjuntos de sirenes que darão alerta à população em caso de chuvas fortes.

Presidente da Associação de Moradores da Cachoeirinha, Gilson Feijão espera que a região receba cursos profissionalizantes e creches. “A demanda por esses dois serviços é muito grande. As pessoas querem se qualificar para melhorar de vida. Aqui, precisamos de mais oito creches”, afirmou ele. Uma comerciante, que pediu para não ser identificada, contou que sentiu, nesta segunda mesmo, os efeitos da presença da polícia. “Na hora do almoço, não tinha nenhum viciado em crack aqui incomodando meus clientes. Mas ainda é cedo para avaliarmos”, opinou ela. Policiais continuam fazendo varredura em busca de armas e drogas nas favelas.

Complexo do Lins terá duas UPPsArte%3A O Dia

Covanca sofre com fuga de traficantes

Enquanto o Lins vive a tranquilidade da pacificação, moradores da Covanca, em Jacarepaguá, sofrem o o efeito contrário da tomada daquela região pela polícia. Há uma semana, eles passaram a ouvir mais tiroteios e também ver balas traçantes. Os moradores afirmam que o bairro ficou mais perigoso depois que traficantes do Lins deixaram o complexo para se abrigar na Covanca, após o anúncio da implantação das UPPs no Lins.

Por uma trilha na mata, criminosos conseguiram deixar o Lins e chegar até a Covanca. “Na terça-feira ouvimos muitos tiros, mais que o normal. Com certeza, eram os criminosos chegando. A falta de segurança vai desvalorizar nossos imóveis”, disse um morador, sem se identificar.

Menor é detido após homicídio

Um adolescente foi apreendido ontem, na Cidade de Deus, sob a suspeita de ter participado do ataque que matou o soldado Anderson Dias Brazuna, de 34 anos, domingo, na localidade AP da PM. O enterro aconteceu ontem no Jardim da Saudade, em Sulacap. O menor prestou depoimento e foi liberado. O comando de Polícia Pacificadora disse que pretende intensificar o treinamento de policiais para fazer abordagens em áreas pacificadas.

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