Por nara.boechat

Rio - O cinema brasileiro amanheceu vazio nesta quarta-feira. A atriz e cineasta Norma Bengell, de 78 anos, considerada a mulher mais desejada do país nos anos 60, morreu na madrugada de ontem no Hospital Rio-Laranjeiras, no Rio de Janeiro, vítima de problemas respiratórios causados por um câncer no pulmão direito.

Norma Bengell morreu aos 78 anosDivulgação

O ator Ney Latorraca, amigo da atriz, revelou que falou com Norma na noite de terça-feira. “Disse que eu não poderia visitá-la porque estou muito gripado. Ela disse que estava bem, que estava se tratando. E, no dia seguinte, soube do falecimento. Fiquei muito triste. A conheci quando eu tinha apenas 10 anos. Somos amigos há muito tempo”, lamentou.

A mulher destemida que protagonizou o primeiro nu frontal do cinema nacional, aos 27 anos, no filme ‘Os Cafajestes’ (1962), de Ruy Guerra, deixa saudades. Musa do Cinema Novo, Norma começou sua carreira como modelo e, depois, tornou-se vedete do teatro de revista.

No cinema, estreou na chanchada, em ‘O Homem do Sputinik’ (1959), de Carlos Manga. Também trabalhou com Walter Hugo Khouri no filme ‘Noite Vazia’ (1964), com Julio Bressane em ‘O Anjo Nasceu’ (1969), com Paulo Cézar Saraceni em ‘A Casa Assassinada’ (1971) e com Glauber Rocha em ‘A Idade da Terra’ (1980).

Norma ainda atuou em outros filmes, como ‘O Pagador de Promessas’ (1962), ‘Rio Babilônia’(1983), ‘Vagas Para Moças de Fino Trato’ (1992) e ‘Banquete’ (2002). A artista também se arriscou no mundo da música e se lançou como cantora.

“Ela teve uma grande importância para o cinema brasileiro. Fez ‘O Pagador de Promessas’, que venceu o Festival de Cannes e foi indicado ao Oscar. Também fez ‘Os Cafajestes’, em que ficou muito marcada. Ela deve ser lembrada pela carreira internacional que teve e pela estrela que ela era. Norma também lutou na ditadura, era uma guerreira, uma artista brilhante”, completou Ney Latorraca.

Em 1970, estreou como produtora, roteirista e cineasta em uma série de curta-metragens. O primeiro longa veio em 1987: ‘Eternamente Pagu’. Seu segundo filme, ‘O Guarani’, foi lançado em 1996, quando foi acusada de irregularidades na prestação de contas da produção e seus bens foram bloqueados. O documentário ‘Infinitamente Guiomar Novais’ (2003) foi seu último trabalho como diretora.

Na televisão, ela pôde ser vista em ‘Os Adolescentes’ (1981), ‘Os Imigrantes’ (1982), ‘Parabéns pra Você’ (1983), ‘Partido Alto’ (1984), ‘O Sexo dos Anjos’ (1989), ‘Alta Estação’ (2006). Seu último trabalho na TV foi em 2009, como a machona Deise Coturno, no seriado cômico ‘Toma Lá, Dá Cá’, em que contracenou com Miguel Falabella, Adriana Esteves, Marisa Orth e Diogo Vilela.

“Sou feliz por ter convivido com ela, que era uma atriz deslumbrante e com muitas experiências interessantes. Essa é uma perda lamentável. Ela era um ícone de coragem por ter feito o primeiro nu frontal do cinema. Era uma mulher que não se prendia, tinha a cabeça moderna e não tinha medo de se expor. Também fez uma carreira internacional muito interessante”, disse Diogo Vilela, referindo-se aos vários trabalhos dela na França e na Itália por conta de seu sucesso em ‘O Pagador de Promessas’.

A morte da atriz teve grande repercussão nas redes sociais. O ator José de Abreu postou no Twitter: “Minha paixão de adolescente! Ficamos amigos nos anos 90. Filmei com ela ‘O Guarani’”.

Norma era viúva e não tinha filhos. Ela foi casada com o ator italiano Gabriele Tinti, que morreu em 1991. A editora nVersos divulgou que a artista deixou um livro de memórias, previsto para ser lançado em março de 2014.

A cremação do corpo de Norma Bengell está marcada para as 14h de hoje, no Cemitério do Caju, na Zona Portuária.

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