Por tamyres.matos

Rio - A viatura oficial da Polícia Militar que servia ao major Edson Santos, um Renault Sandero preto, quando ele era comandante da Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha, não consta na relação dos carros que estavam na UPP em 14 de julho, dia do desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza. A lista foi encaminhada pelo próprio oficial, em 19 de julho, à 15ª DP (Gávea), que deu início às investigações sobre o sumiço.

O veículo, no entanto, foi flagrado pela câmera que fica na localidade Portão Vermelho, na Rocinha, entrando e saindo do local quatro vezes. A movimentação aconteceu entre 19h43, do dia 14, e 1h07, do dia 15. As imagens constam no relatório da DH sobre o caso.

O pedreiro foi levado para sede da UPP Rocinha para ‘averiguação’Alex Ribeiro / Agência O Dia

Como O DIA mostrou no último dia 4, o Sandero do oficial virou alvo da investigação sobre o sumiço de Amarildo. Ele foi periciado para saber se há vestígios biológicos do pedreiro. A Divisão de Homicídios (DH) espera o laudo com o resultado da análise.

A primeira movimentação do Sandero acontece às 19h43 quando ele deixa a base da UPP. O carro sai 18 minutos depois que a viatura 54-6014 chega ao Portão Vermelho com Amarildo — às 19h25, como mostra uma das imagens da câmera, e o retorno ao local acontece às 20h42. O carro deixa novamente a base às 21h09 e volta às 21h45. Às 23h54, o Sandero sai de novo da base da UPP e retorna à 1h07.

NOMES DE POLICIAIS

Além de carros que já eram da UPP, o major Edson informou também dados de cinco viaturas que estavam apoiando a unidade na operação Paz Armada, realizada na Rocinha, no dia anterior, pela 15ª DP. Constam ainda na relação dos veículos os nomes dos policiais que dirigiram a viatura que transportou Amarildo até a sede da UPP.

De acordo com o relatório da DH, no dia 14 , a partir das 21h56, câmeras do Portão Vermelho flagraram vários carros saindo da base da UPP na localidade. O major Edson e nove policiais da UPP estão presos acusados de tortura seguida da morte de Amarildo e ocultação de cadáver.

Contradições nas versões dos oficiais

Apesar de os acusados terem relatado à DH a mesma versão fantasiosa sobre o desaparecimento, investigadores encontraram contradições nos depoimentos de vários deles, incluindo o de Edson.

Durante a reconstituição do caso, o major disse que saiu da base da UPP no Sandero para ir à 15ª DP (Gávea). Em momento similar, segundo a DH, o tenente Luiz Felipe de Medeiros, ex-subcomandante da UPP, contou que usou o mesmo carro para ir ao Laboriaux, na Rocinha.

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