Black Bloc tem mais apoio no Rio que no resto do país

São mais de 51 mil ‘curtidas’ no perfil carioca contra 21 mil do grupo em São Paulo

Por O Dia

Rio - Na contramão da maioria das cidades brasileiras, o Rio ainda é palco dos protestos que explodiram em junho nas ruas de todo o Brasil. A mobilização que permanece aqui pode ser uma das explicações para o fato de a página local do movimento Black Bloc ter mais que o dobro de simpatizantes do que a de São Paulo, por exemplo. São mais de 51 mil ‘curtidas’ no perfil carioca contra 21 mil do grupo na maior capital do país.

“Mesmo que em menor número, os movimentos continuaram no Rio, com a ocupação em frente à Câmara dos Vereadores e à residência do governador Sérgio Cabral.Com isso, os cariocas foram submetidos continuamente à brutalidade da polícia. Claro que a polícia de São Paulo age da mesma forma. Mas aqui, como houve a permanência de mobilizações, as pessoas continuaram na mão da polícia. Quando há um grupo que surge como linha de frente da resistência, é claro que isso vai gerar uma simpatia entre os manifestantes”, explicou o sociólogo Antonio Engelke.

Após manifestação de professores no dia 7 de outubro%2C representantes do grupo Black Bloc entraram em confronto com a PM na CinelândiaAndré Mourão / Agência O Dia

Presentes em todos os protestos e promovendo vandalismo — ou a violência revolucionária, como preferem chamar as depredações ao patrimônio particular e público —, os black blocs não são exatamente um desafio para a polícia. Com fóruns virtuais e atuações programadas, o grupo que se autonomia anarquista esconde os rostos nas ruas, mas não na página da internet.

“Interessa ao governo que eles invertam a pauta (positiva) das manifestações de apoio popular. Por isso, eles deixam os black blocs atuarem. Só após o quebra-quebra, a polícia entra para inibir os ataques. Não age preventivamente, evitando o vandalismo”, afirmou o cientista social Paulo Baia, que é contrário à atuação do grupo.

Na sexta-feira, a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática fez operação para apreender computadores de integrantes do Black Bloc. Durante o cumprimento de mandados, eles fizeram questão de manter atualizado o Facebook, numa clara demonstração de deboche ao setor de segurança pública.

Em 19 de agosto%2C mascarados marcharam rumo à Alerj em protesto Fernando Souza / Agência O Dia

Presos, mascarados não confessam ser do grupo

Os black blocs detidos nas manifestações têm conseguido a assessoria jurídica dos Advogados Ativistas (AA). O mais interessante é que muitos deles, nem mesmo para a defesa, que vem gratuita, confessam a participação no grupo mascarado quando são pegos pela polícia.

“Nosso movimento não tem colocação ideológica. É voltado para a liberdade de informação e de expressão. A gente vai dar auxílio jurídico a qualquer tipo de manifestante. A gente não consegue definir quem é black bloc e quem não é. Ele pode ser um ativista ou pode estar ativista naquele momento de detenção. Nem mesmo pra gente alguns confessam a participação no grupo”, afirmou o advogado André Zanardo, que faz parte do AA.

De acordo com ele, não é desconhecido dos black blocs que a depredação de imóveis é um ato criminoso. Ao prestarem atendimento jurídico, os advogados ativistas não têm como proposta orientá-lo para não cometer novos atos de vandalismo.“Qualquer cidadão comum sabe que quebrar um patrimônio público ou privado é crime. A gente até explica que isso vai acarretar um prejuízo na vida deles, porque haverá processo, nome na polícia. Mas isso é um problema deles”.

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