DH investiga se substância atrás de contêiner da UPP da Rocinha é sangue

Local pode ter sido usado para torturar o ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido desde o dia 14 de julho

Por O Dia

Rio - A perícia realizada por policiais civis, na noite desta segunda-feira, em área atrás dos contêineres da UPP da Rocinha encontrou vestígios de alguma substância incomum no local. No entanto, ainda não é possível afirmar com certeza se é sangue porque o luminol, produto químico utilizado nas buscas, reage também com outras substâncias. 

"O luminol reagiu no local, só que não sabemos ainda se é sangue ou não", esclareceu a promotora do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Carmen Eliza.

A perícia realizada no veículo do ex-comandante da UPP, o major Edson Santos, deu negativo para vestígios de sangue. Como O DIA antecipou, a viatura oficial da Polícia Militar que servia o major também virou alvo de investigação de policiais da Divisão de Homicídios (DH).

Agentes da DH vistoriam novamente a sede da UPP da Rocinha e encontram vestígio substância que pode ser sangue atrás dos contêineresMaíra Coelho / Agência O Dia

PMs indiciados e presos

Mais cinco policiais militares serão denunciados e podem ir para a cadeia, e um outro oficial da PM será investigado por envolvimento na tortura e morte de Amarildo de Souza, de 47 anos. Novas revelações bombásticas sobre o caso foram feitas por um policial que era lotado na UPP da Rocinha. Em quase oito horas de depoimento na 8ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), que começou às 16h de domingo, o militar revelou detalhes de como Amarildo teria sido morto na noite de 14 de julho, após ser capturado durante a operação Paz Armada, cujo objetivo era prender traficantes.

Dez PMs, entre eles o major Edson Santos, ex-comandante da UPP, já estão presos. De acordo com a testemunha, por volta das 19h30 no dia da prisão do pedreiro, o tenente Luiz Felipe de Medeiros, ex-subcomandante da UPP Rocinha, preso, determinou que os homens que não eram de confiança dele ficassem ‘trancados’ no contêiner da sede da unidade. Enquanto isso, do lado de fora, Amarildo era submetido a sessão de choques e socos, e asfixiado com saco na cabeça, praticada por Medeiros e seus subordinados. Durante quase 40 minutos, os policias, ‘detidos’ na sede, puderam ouvir gritos e gemidos.

Mulher e filhos de Amarildo no Dia dos Pais%3A ajudante de pedreiro desapareceu na noite de 14 de julho Alessandro Costa / Agência O Dia

Corpo levado por cinco

Os agressores perguntavam o tempo todo onde estavam as armas do tráfico. Quando Amarildo, que era epilético, desfaleceu, os policiais começaram a gritar ‘deu merda’. O corpo teria sido carregado por Medeiros e outros quatro policiais para a mata. A testemunha não soube dizer onde estava o major Edson, mas garantiu que nada era feito sem o consentimento do oficial.
Promotores do Gaeco do Ministério Público vão denunciar os novos acusados. 

“Houve reviravolta. O aditamento da denúncia será feito à Justiça”, disse o procurador-geral de Justiça, Marfan Vieira. A 8ª DPJM vai ouvir pelo menos mais seis policiais que estavam de serviço no dia do sumiço.

O policial responsável pelas novas denúncias será retirado do estado e vai integrar o Programa de Proteção à Testemunha. Outras três pessoas que contribuíram com as investigações estão sob proteção.

MP vai investigar denúncia de vazamento de informação

O procurador-geral de Justiça, Marfan Vieira, determinou ontem que seja investigada a acusação do delegado Ruchester Marreiros de que houve vazamento de informações da operação Paz Armada de dentro do Ministério Público (MP). O policial será convocado a prestar depoimento no órgão.

“O fato é grave e será instaurado procedimento”, disse Marfan. Como O DIA publicou domingo com exclusividade, Ruchester fez dossiê de informações e enviou à Secretaria de Segurança e ao MP. Nele, informou que o pai do acusado de envolvimento com o tráfico Vinicius Pessoa Pedroni, o Guissa, obteve informações da operação uma semana antes do início das prisões porque trabalharia como motorista e vigilante do MP.

O delegado criticou o trabalho da promotora Marisa Paiva e descreveu irregularidades na conduta do delegado Orlando Zaccone, titular da 15ª DP (Gávea), que nega. Ruchester era adjunto da unidade, quando foi deflagrada a Paz Armada, dia 13 de julho, que visava prender 57 suspeitos. Um dia depois, Amarildo foi preso por policiais da UPP Rocinha.

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