MP pode pedir transferência de major da Rocinha

Segundo órgão, oficial pressiona policiais a não contarem verdade sobre sumiço de Amarildo

Por O Dia

Rio - O Ministério Público pode pedir a transferência do ex-comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, major Edson Santos, que está preso na Unidade Prisional (antigo BEP) para outra cadeia. O oficial e outros nove PMs estão presos acusados de torturarem e matarem o pedreiro Amarildo de Souza, que está desaparecido da Rocinha desde o dia 14 de julho. O MP pode denunciar ainda mais de dez PMs, além dos dez que estão presos, pela tortura e morte de Amarildo.

Segundo a promotora do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Carmem Eliza, mesmo preso, o oficial tem pressionado os policiais a não contarem a verdade sobre o sumiço do pedreiro.

Major Edson Santos é acusado de pressionar policiais a não contarem verdade sobre sumiço de AmarildoAlessandro Costa / Agência O Dia

“A pressão dele sobre os policiais é inequívoca. Eles têm temor ao major. Ele continua exercendo grande influência sobre os policiais militares. Seria essencial o afastamento dele para colheita de provas, que eu acredito, será mais isenta se houver o afastamento desses policiais do major Edson”, disse a promotora afirmando que a prisão do oficial foi fundamental para mudar o rumo das investigações. De acordo com ela, outros oficiais também estariam pressionando os PMs.

No dia que Amarildo foi levado para a sede da UPP da Rocinha, 11 PMs foram obrigados a ficar presos num dos contêineres. De domingo até hoje, dois policiais prestaram depoimento e revelaram o que aconteceu com Amarildo. Eles estão sob proteção. O policial teria sido ameaçado. “Ele se sentiu ameaçado e falou pela garantia da vida dele. Vamos considerar a colaboração dele mas também a conduta naquele momento (do crime). Todo policial que estava ciente do que estava acontecendo e poderia ter evitado aquele resultado (morte do Amarildo) será denunciado”, explicou Carmem Eliza.

O MP aguarda ainda o resultado da perícia feita ontem atrás do contêiner do comando da UPP. O luminol (reagente que detecta sangue, entre outras susbtâncias) jogado no local reagiu mas a perícia ainda não constatou se é sangue porque no local havia ferrugem e óleo. O material passará por várias análises e será comparado com o material genético colhido dos filhos do Amarildo.

TJ rejeitou habeas corpus para PMs

A 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ) negou, nesta terça-feira, o pedido liminar de concessão de habeas corpus aos policiais militares Marlon Campos Reis, Jorge Luiz Gonçalves Coelho, Victor Vinicius Pereira da Silva e Douglas Roberto Vital.

“Da leitura do decreto de prisão preventiva, não se verifica de plano qualquer ilegalidade ou abuso de poder a violar o direito de liberdade dos pacientes”, destaca a decisão. O pedido de prisão preventiva foi deferido em primeira instância pelo juízo da 35ª Vara Criminal da Capital no dia 4 deste mês.

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