Por cadu.bruno

Rio - A Polícia Civil divulgou nesta quarta-feira balanço das prisões durante manifestação na última terça no Centro do Rio. No total, 64 pessoas foram e 20 menores apreendidos. Destes, 70 foram detidos com base na nova Lei do Crime Organizado, a Lei 12.850/2013.

Segundo a chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, desde o início das manifestações, iniciadas em junho, esse foi o maior número de pessoas presas. Ao todo, 190 pessoas foram encaminhadas para oito delegacias nesta terça à noite, número recorde também de detenções desde junho.

Delegada Martha Rocha investiga se homens atirando em protesto são PMsErnesto Carriço / Agência O Dia

Perguntada se a nova lei facilitou o trabalho da Polícia Civil, Martha disse apenas que "a polícia está buscando cada vez mais uma forma mais eficaz de enfrentar essa questão e que a Polícia Civil trabalha com a lei" e que "os delegados estão agindo de acordo com essa nova lei".

Entre o material apreendido, há uma bandeira com a inscrição ''Núcleo Zona Norte. Resistência suburbana". "Esse movimento não tem outro objetivo a não ser a prática de condutas criminosas. Nós olhamos esse grupo como um bando como diz o Código Penal. Se há um núcleo da Zona Norte há núcleo em outro lugar", disse Martha. A chefe de polícia afirmou que as pessoas que não foram detidas também serão investigadas.

Segundo ela, muitos dos manifestantes levados à delegacia nesta terça são de outros estados como São Paulo, Rondônia e Brasília. "Isso me chamou a atenção. Alguns disseram que estavam no Rio de férias e aproveitaram para participar do movimento. O que queremos saber se está havendo uma importação dessas pessoas nesses movimentos", contou a delegada.

Policiais militares flagrados atirando com arma de fogo durante as manifestações também serão investigados. "A Polícia Civil tem agido e instaurado procedimentos por abuso de autoridade. Essas imagens, a exemplo de todos os fatos, serão analisadas", afirmou.

A chefe de polícia criticou os professores e entidades que aceitaram o apoio dos Black Blocs nas manifestações.

"Sou professora primária e professora da Academia de Polícia desde 1988. Buscar melhoria para essa classe é fundamental, mas eu não posso aceitar o apoio desse grupo. Essas pessoas têm muita responsabilidade. Essas pessoas que emprestam seu nome têm que saber que elas são formadoras de opinião. Vocês podem observar que está havendo um aumento da intensidade dessa violência. É só olhar a cidade. Não pode achar que está bacana porque não está bacana, não, gente. Essas pessoas estão ali para praticar crimes", disse a delegada.

Martha criticou ainda a opinião de estudiosos da segurança pública que questionam o trabalho da polícia. "Eu respeito a opinião dos estudiosos, mas a nossa decisão não passa pelo crivo dos estudiosos. Ela passa pelo crivo do Judiciário. Ninguém mais aguenta essa situação. As pessoas não suportam isso. Se os estudiosos não entenderem que a polícia atua em defesa da sociedade eu lamento muito. Não estamos aqui falando de ato de manifestação, estamos falando de vandalismo. Estamos falando de pessoas que saem de casa com o compromisso da prática de delito, que saem de casa armadas de diversos instrumentos. Não podemos entender esse movimento de outra maneira", finalizou a chefe de polícia.



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