Por cadu.bruno

Rio - Um jovem identificado como Paulo Roberto Pinho de Menezes, de 18 anos, morreu nesta quinta-feira após ser abordado por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Manguinhos, na Zona Norte. De acordo com a corporação, PMs avistaram quatro jovens em atitude suspeita na localidade conhecida como Barrinho.

Segundo o capitão Gabriel Toledo, comandante da UPP, ao se aproximarem para realizar a abordagem, um dos jovens fugiu em direção a um beco e, visivelmente alterado, caiu desmaiado antes mesmo de ser capturado pelos policiais. Os agentes colocaram o jovem desacordado dentro da viatura e o levaram para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Manguinhos.

A Polícia Civil realizou perícia no local onde o jovem faleceu e encontrou sangue nas paredes do beco. O material colhido foi enviado para análise.

Jovem morreu em Manguinhos na madrugada. Família acusa PMsEstefan Radovicz / Agência O Dia


A médica que fez o atendimento de Paulo Roberto informou que ele já chegou morto à unidade. As causas da morte só poderão ser conhecidas com o exame de necropsia realizado pelo Instituto Médico Legal (IML). De acordo com relatos dos policiais, os jovens que estavam com Paulo Roberto afirmaram que ele havia cheirado loló minutos antes do ocorrido.

A ocorrência foi registrada na 21ª DP (Bonsucesso). A mãe da vítima, identificada como Fátima Pinho de Menezes, 39 anos, acusou os PMs de espancarem o jovem. Ela apontou um dos soldados, conhecido pelo apelido de Martelo, como um dos autores do crime. Ainda segundo Fátima, o policial já havia ameaçado Paulo Roberto de morte após prendê-lo anteriormente.

Segundo informações passadas à família, as paredes das casas do beco onde aconteceu a morte ficaram sujas de sangue. Segundo testemunhas, além de socos e chutes, os policiais ainda bateram com a cabeça do rapaz nas paredes. De acordo com Fátima, apesar de ter duas passagens por roubo, o jovem não tinha envolvimento com o tráfico.

Amigos que estavam com Paulo Roberto no momento da abordagem policial afirmaram que ele não portava drogas e teria se rendido aos PMs.

Em nota, a PM negou as agressões e disse que o policial mencionado não estava de serviço durante a ocorrência e ressaltou que o agente mencionado está cumprindo serviço na tropa de ocupação do Complexo do Lins, desde 6 de outubro, data em que foi integrado ao efetivo da ocupação das comunidades do Lins.

Durante protesto contra a morte do jovem, moradores da comunidade tentaram fechar a Rua Leopoldo Bulhões. A Polícia Militar foi acionada e liberou a via, sendo recebida a pedras pelos populares. Os policiais responderam dando tiros para alto.

Os manifestantes se dispersaram e a polícia entrou na comunidade atrás do grupo que arremessou pedras.

Reportagem: Gabriel Sabóia e Luarlindo Ernesto

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