Por cadu.bruno

Rio - Moradores do Complexo de Manguinhos depredaram uma viatura da Polícia Militar na entrada da comunidade após o sepultamento do jovem Paulo Roberto Menezes, de 18 anos, morto na madrugada desta quinta dentro do complexo. Moradores da favela acusam policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de terem torturado Paulo até a morte no Beco da Esperança.

Parentes se emocionam no enterro do jovem Paulo RobertoFernando Souza / Agência O Dia

Houve confronto entre militares e moradores, que apedrejaram a sede da UPP. Cerca de 100 pessoas acompanharam o cortejo no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte. Os Pms acusados de envolvimento no crime deixaram a prisão administrativa. Eles foram afastados e realizam trabalho interno até a apuração dos fatos.

Nesta quinta-feira, um protesto pela morte do jovem terminou com uma adolescente de 17 anos baleada. A PM nega ter usado violência na abordagem e diz que o rapaz sofreu mal súbito. Após a morte ter sido confirmada, centenas de pessoas fecharam por alguns minutos a Avenida Leopoldo Bulhões, onde atiraram pedras em policiais, que revidaram dando tiros para o alto. Logo depois, Juliane Karoline dos Santos, de 17, apareceu ferida a tiro na perna.

Viatura é atacada em ManguinhosFernando Souza / Agência O Dia

“Meu filho tinha nove passagens pela polícia (sete quando menor de idade) e era visado pelos homens da UPP, mas nunca teve envolvimento direto com o tráfico de drogas. Sempre recebia ameaças e respondia às provocações. Ele foi assassinado covardemente por nunca ter escondido quem era”, disse a comerciante Fátima Pinho Menezes, mãe de Paulo. Ela ainda contou que um policial da UPP teria passado a perseguir o rapaz após flagrar Paulo cometendo um assalto a mão armada na Lapa.

Agentes da 21ª DP (Bonsucesso) realizaram perícia no Beco da Esperança e recolheram material genético para apurar se as marcas de sangue encontradas em um muro do local eram do jovem. Laudo preliminar do Instituto Médico-Legal (IML) apontou que os ferimentos no corpo não foram a causa do óbito, que deve ser constatado pelo resultado da necrópsia.

Paulo Menezes mostra local onde o filho teria sido torturado e morto. PM diz que vítima teve mal súbitoEstefan Radovicz / Agência O Dia

Seis policiais militares que estavam de plantão na comunidade durante a madrugada — quando Paulo morreu — já foram ouvidos. Se comprovadas as agressões, eles podem ser indiciados por lesão corporal seguida de morte. Familiares e amigos da vítima também prestaram depoimentos.

Em nota, a Polícia Militar afirmou que o jovem estava em companhia de três amigos quando foi abordado por policiais que realizavam patrulhamento na região e consideraram a atitude do grupo suspeita. Ao notar a aproximação dos PMs, Paulo Roberto teria fugido e caído. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, ele já teria chegado morto à UPA de Manguinhos.

Adolescente é atendida no Salgado Filho

Durante o protesto pela morte do jovem de 18 anos na Avenida Leopoldo Bulhões e em alguns acessos à Favela de Manguinhos, Juliane Karoline dos Santos, de 17, foi atingida na perna por disparo de arma de fogo, em local próximo de onde Paulo Roberto foi visto pela última vez com vida.

Ela foi levada para o Hospital Salgado Filho, no Méier, onde recebeu atendimento. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a jovem já teve alta. “Essa é a prova de que eles atiram a esmo em locais onde há concentração de menores. Será que alguém ainda duvida de culpa na morte do meu filho?”, questionou a mãe de Paulo Roberto, Fátima Menezes. O corpo do rapaz será sepultado hoje, às 16h, no Cemitério de Inhaúma.

Fogo em pneus, bomba de efeito moral e tiros para o alto

A revolta foi a marca do protesto em Manguinhos, entre a manhã e a tarde de ontem. Pneus foram incendiados por moradores, e o trânsito da Avenida Leopoldo Bulhões, interrompido pelos manifestantes. Em resposta às pedras lançadas em direção a viaturas e às bases da UPP e da UPA de Manguinhos, militares jogaram bombas de efeito moral e jatos de spray de pimenta, e deram tiros de arma de fogo para o alto. Na confusão, crianças corriam com medo do barulho das bombas e dos tiros

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