Por cadu.bruno

Rio - Vários manifestantes contrários ao leilão do Campo de Libra entraram em confronto com homens da Força Nacional de Segurança na manhã desta segunda-feira, próximo ao Windsor Barra Hotel, horas antes de ocorrer a licitação. O grupo fez uma barreira com tapumes de aço para se proteger das balas de borracha e bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo arremessadas pelos policiais. 

Do lado de fora, os manifestantes, a maioria mascarados, ficaram posicionados a cerca de 100 metros do bloqueio da Força Nacional e, a qualquer movimentação deles, os agentes reagiram lançando balas de borracha e bombas. Houve grupos espalhados também na Praça do Ó, que fica a dois quarteirões do hotel. Além das armas não letais, os homens da Força Nacional de Segurança estavam armados com fuzis e escopetas.

Os confrontos deixaram, pelo menos, seis feridos – três manifestantes, um policial da Força Nacional, um fotógrafo e uma jornalista. Nenhum com gravidade.

Veículo de emissora de TV é tombado pelos manifestantesReprodução TV

Os manifestantes viraram e incendiaram um carro de uma emissora por volta das 11h, além de quebrar semáforos e um ponto de ônibus na Avenida Lúcio Costa, onde fica o hotel. Os quiosques do calçadão da praia fecharam, mas muitos curiosos acompanharam a movimentação. Enquanto isso, banhistas aproveitaram o mar calmo e o sol forte.

Consórcio com cinco empresas vence leilão

O evento, que começou por volta das 15h, teve o consórcio vencedor revelado por volta das 15h40 desta segunda-feira. A licitação foi arrematada por cinco empresas: Petrobras, Shell, Total, CNOOC e CNPC. Sendo a Petrobras detentora de 40%, a Shell 20%, a Total também com 20% e as chinesas CNPC e CNOOC com 10% cada.

O ministro de Minas e Energia, Édison Lobão, afirmou que o Campo de Libra "será um divisor de águas no passado e no futuro do pré-sal".

"Nós mais do que dobramos o nosso estoque certificado. Com o pré-sal fomos além dos 25 bilhões de barris", informou Lobão antes de revelar o consórcio vencedor.

Primeira rodada de licitações

O Campo de Libra localiza-se no lado fluminense da Bacia de Santos, em área superior a 1.500 km². O pregão é a primeira rodada de licitações do pré-sal, que tem potencial de óleo recuperável de até 12 bilhões de barris por ano. Também demandará de 12 a 18 plataformas, e de 60 a 90 barcos de apoio, com investimento aproximado de US$ 180 bi (R$ 390,4 bi).

Os petroleiros são contra por considerar que se trata de uma quase privatização do petróleo nacional, porque a Petrobras ficará só com 40% do óleo extraído.

As recentes denúncias de espionagem feitas pelo governo norte-americano à estatal colocaram ainda mais lenha na fogueira. Movimentos sindicais afirmam que o país está ‘entregando seu ouro negro à especulação internacional’.

Manifestantes contra leilão do Campo de Libra começam a se dispersar

Vários manifestantes começaram a se dispersar após a realização do leilão do campo de Libra. Eles seguiram em direção à Avenida das Américas, principal via de acesso ao bairro. Poucas pessoas, ligadas a partidos e a movimentos anarquistas, permanecem no local.

Os bombeiros conseguiram apagar as chamas em um banheiro químico de metal, instalado na praça central. Manifestantes também usaram pequenas bombas, conhecidas como "cabeção de nego", contra homens da Força Nacional, que fazem a segurança na região do leilão.

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