Por bferreira

Rio - O cinturão de segurança montado pelo Exército para garantir o leilão do Campo de Libra, com reservas entre 8 e 12 bilhões de barris de petróleo, vai muito além do policiamento feito pelos militares e a Força Nacional, na Barra, onde o pregão começa às 14h, no Hotel Windsor. O megaesquema envolve o emprego de pelotão das polícias Militar e Rodoviária Federal em pontos estratégicos, como ponte Rio-Niterói, prédios da Petrobras e da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

A presença dos soldados do Exército%2C com seus uniformes de combate incluindo escudos%2C mudou a paisagem no domingo sol na Barra da TijucaPaulo Araújo / Agência O Dia

Além disso, haverá reforço de agentes da Polícia Civil em delegacias e apoio da Polícia Federal e do Corpo de Bombeiros. Foram mobilizados ao todo 1.200 homens.

Na semana passada, os detalhes da operação foram repassados em reuniões até com integrantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Os trajetos dos ônibus de outros estados que chegam ao Rio foram mapeados. Na Rio-Niterói, a Polícia Rodoviária Federal revistará coletivos. Nos acessos, a responsabilidade será da PM.

No Windsor, foi montado um centro de informações do Exército com linha direta para o Centro Integrado de Comando e Controle, da Secretaria de Segurança. A Polícia Federal fará varreduras no hotel. Para fechar o cerco a manifestações violentas, homens do Batalhão de Choque ficarão baseados no terminal Alvorada, na Barra.

Megaesquema de segurança para garantir o leilão do pré-sal hojePaulo Araújo / Agência O Dia

Manifestantes que se excederem podem ser enquadrados na Lei da Ordem, 117/2004. Por se tratar de crime federal, os condenados ficam impedidos de prestar concursos públicos.

A área ofertada deve render à União, a estados e municípios R$ 900 bi em royalties. Das 11 empresas credenciadas, quatro são da China e as demais estão divididas entre Brasil, Japão, Colômbia, Malásia, França, Índia, e uma Anglo-holandesa.

Primeira rodada de licitações

O Campo de Libra localiza-se no lado fluminense da Bacia de Santos, em área superior a 1.500 km².

O pregão é a primeira rodada de licitações do pré-sal, que tem potencial de óleo recuperável de até 12 bilhões de barris por ano.

Também demandará de 12 a 18 plataformas, e de 60 a 90 barcos de apoio, com investimento aproximado de US$ 180 bi (R$ 390,4 bi).

Os petroleiros são contra por considerar que se trata de uma quase privatização do petróleo nacional, porque a Petrobras ficará só com 30% do óleo extraído.

As recentes denúncias de espionagem feitas pelo governo norte-americano à estatal colocaram ainda mais lenha na fogueira. Movimentos sindicais afirmam que o país está ‘entregando seu ouro negro à especulação internacional’.

‘Os black blocs são muito bem-vindos’, diz sindicalista

Os black blocs já confirmaram presença na manifestação organizada por entidades sindicais contra o leilão de Libra. Para o secretário-geral do Sindicato dos Petroleiros do Rio (Sindipetro-Rio), Emanuel Cancella, eles são “muito bem-vindos”. O dirigente afirmou que todos os brasileiros que defendem a soberania nacional podem e devem participar do ato.

Na página dos mascarados na rede social, a chamada para o evento conta com 6.600 pessoas confirmadas. Eles pretendem fazer duas manifestações, às 10h e às 17h.

Cancella diz acreditar que a pressão popular pode fazer com que o governo suspenda o evento, a exemplo do que aconteceu quando se cogitou privatizar a Petrobras, há mais de 15 anos. “Também vão chegar ônibus de petroleiros vindos de outros estados”, disse, acrescentando que espera que não haja vandalismo.

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