Namorado de vítima em chacina queria fazer as pazes com amada: 'Não deu tempo'

Cinco homens e duas mulheres foram mortos a tiros em Realengo. Polícia investiga

Por O Dia

Rio - O namorado de Amanda Silva Guimarães, de 27 anos, uma das vítimas da chacina em Realengo, na Zona Oeste, disse nesta sexta-feira que a casa onde ocorreu o crime era usada para consumo de drogas. De acordo com o homem, que se identificou apenas como Ricardo, todas as vítimas eram amigas de infância.

Ele contou que havia brigado com Amanda na quarta-feira, mas recebeu uma mensagem da jovem pelo celular por volta das 20h desta quinta dizendo que o amava. "Pensei que iria fazer as pazes com ela hoje (sexta), mas não deu tempo", afirmou Ricardo, que desconhecia qualquer ameaça que as vítimas poderiam estar sofrendo.

Corpos são retirados da casa por homens da Defesa CivilOsvaldo Praddo / Agência O Dia

Equipes da Divisão de Homicídios (DH) realizam, nesta sexta-feira, buscas na região de Realengo para tentar localizar possíveis testemunhas que ajudem a identificar os autores da chacina. Cinco homens e duas mulheres foram mortos a tiros de fuzil e de pistola em uma casa na Rua Nuretama. Agentes da já realizaram perícia no local. Dez familiares das vítimas já foram ouvidos pela polícia.

De acordo com familiares, o casal Toni Anderson Damásio Alves, 37, e Renata Souza da Silva, 30, donos do imóvel e vítimas, eram usuários de drogas. De acordo com moradores e a polícia, a residência era ponto de consumo de entorpecentes

Segundo o tio de Toni, Iderval Antonio Gonçalves, de 70 anos, a vítima se tratou, mas acabou voltando ao vício.

Moto foi apreendida pela políciaOsvaldo Praddo / Agência O Dia

"Ele tinha envolvimento com drogas. Mas não era uma pessoa violenta, agressiva. Chegou a sair dessa por um tempo, mas retornou. Fez inclusive um tratamento de cunho religioso, mas retornou. Sabia que o destino dele seria trágico, quem está envolvido com essas coisas (drogas) perde a referência. Foi uma vítima do tempo, do espaço, da ausência de amor", disse Iderval, resignado.

Ele revelou ainda que Toni perdeu o irmão recentemente. Ainda de acordo com Iderval, o envolvimento de Toni e de Renata com as drogas fez a família conseguir na Justiça a guarda dos dois filhos menores do casal. Eles são criados pelos avós paternos e não estavam na casa no momento dos crimes

Crime choca moradores 

Segundo moradores, os crimes foram cometidos por volta das 22h30. De acordo com o delegado Pablo Rodrigues, da Divisão de Homicídios (DH), homens encapuzados chegaram ao local em veículos não identificados. Eles usaram a van de lotada placa KOB-4680 (Cancela Preta-Campo Grande), que estava estacionada, para escalar o muro e invadir a casa de número 499.

Parente se emociona em frente ao local do crimeOsvaldo Praddo / Agência O Dia

Ainda de acordo com o delegado, os cinco homens e duas mulheres foram colocados na varanda do imóvel e mortos. Todos seriam usuários de drogas. A perícia constatou que as armas usadas na chacina foram um fuzil calibre 556 e uma pistola calibre 9mm. Os assassinos fugiram pelo portão. Dentro da casa foi encontrada uma pequena quantidade de maconha, além de cachimbos e papel de seda, usados para o consumo de crack e da erva. Uma moto sem placa também foi apreendida.

"O maior indício é de local de uso de drogas. Até as próximas 48 horas não descartamos qualquer hipótese para o crime", disse o delegado. Testemunhas prestaram depoimento durante a madrugada na DH, na Barra da Tijuca.

A polícia vai levantar a vida pregressa das vítimas e saber quem frequentava o imóvel. Sem se identificar, vários moradores disseram que diariamente havia confusão na casa, muito barulho durante a madrugada e consumo de drogas.

Os outros mortos foram identificados como: Leandro Marques Pereira, de 24 anos, Alex Prudêncio de Amorim, 28, Amanda Silva Guimarães, 27, e o irmão dela, Clayton Guimarães, além de Luan Santos da Costa.

O dono da van também será chamado a depor. Sem se identificar, ele disse que chegou a alugar uma vaga na garagem da casa de Toni por R$ 80. Ele contou, porém, que desistiu devido ao "clima pesado" com a frequência de usuários de crack, e passou deixar o veículo junto ao muro. O motorista afirmou que estacionou por volta das 21h35. Cerca de uma hora depois ouviu tiros.

Chacina em colégio comoveu o país

Em abril de 2011, Realengo foi cenário de outra chacina que chocou o país e o mundo. Wellington de Oliveira, de 23 anos, ex-aluno, com distúrbios mentais, invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira e matou a tiros 12 crianças e feriu outras 12. As vítimas tinham entre 12 e 14 anos. O assassino estava com dois revólveres e entrou em duas salas do oitavo ano do ensino fundamental. Logo em seguida, cometeu suicídio.

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