Por thiago.antunes

Rio - Depois de alguns bairros do Rio ficarem sem água pelo quinto dia consecutivo, a Comissão de Defesa do Consumidor da Alerj entrou, nesta terça-feira, com um pedido de liminar na Justiça para obrigar a Cedae a normalizar o abastecimento em 24 horas. A ação deverá ser avaliada hoje, e, conforme a decisão, o prazo estipulado passará a valer a partir da aprovação. Se não for possível cumprir a exigência no prazo, a empresa ficará responsável por contratar carros-pipa, isentando o consumidor do custo. A medida também prevê multa diária de R$ 10 mil no caso de descumprimento.

Até a noite de terça-feira, trechos de cinco bairros (Laranjeiras, Flamengo, Botafogo, Cosme Velho e Santa Teresa) estavam sem o serviço. Antes, na parte da manhã, o número de bairros afetados chegava a dez, com inclusão de partes da Grande Tijuca. A interrupção do fornecimento ocorreu na quinta-feira, para manutenção do sistema.

Carros-pipa cobraram preços abusivos%2C de até R%24 5 mil%2C aproveitando a alta procura de água por causa do desabastecimento causado pela CedaeEstefan Radovicz / Agência O Dia

Segundo o presidente da Comissão, deputado Luiz Martins (PDT), o problema no abastecimento é antigo. A Defesa do Consumidor da Alerj já tinha movido ação em 2010: “Não há investimento para melhoria do serviço. E, nesta crise mais recente, sequer dão uma previsão da normalização do serviço. É um desrespeito muito grande”.

O deputado completou que a Comissão também vai adotar medidas para punir quem cobrar preço abusivo e que ainda pretende incluir outros tipos de gastos, além da contratação de caminhão-pipa, para que a Cedae reembolse o consumidor. “É importante guardar nota fiscal. E, nos casos em que a empresa não fornecer, isso deve ser denunciado”, reforçou o deputado.

Galões contra preço abusivo

Nem a contratação de caminhões-pipa adiantou para moradores de um edifício de 174 apartamentos na Praia do Flamengo. O jeito foi comprar galões de água de 20 litros .
“O carro- pipa encheu a cisterna no sábado. Porém, há apartamentos que nem chegaram a receber água. E, em outros, ela ficou barrenta. A solução seria contratarmos vários, mas o preço não para de aumentar: pulou de R$ 1.500 para R$ 3 mil. Foi quando recorremos aos galões”, contou a advogada Sandra Aldrigai, de 58 anos. Vizinha de Sandra, a também advogada Eliana Labronici, 33, também se queixa: “É muito transtorno”.

Moradores do Flamengo se recusaram a pagar e compraram galõesAmanda Raiter / Agência O Dia

Tijuca: serviço restabelecido

A normalização do abastecimento na Grande Tijuca só se deu ontem pela manhã. “Cheguei ir a Cascadura só para lavar o cabelo. A casa já estava com cheiro ruim. Fora a fila no mercado no fim de semana para comprar garrafas”, desabafou a estudante universitária e moradora do Maracanã Fernanda Bauer, de 29 anos. 

No Rio Comprido, Ivan Haido disse que seu condomínio, na Rua Itapiru, por sorte, não foi prejudicado. A cisterna estava com água até segunda-feira, quando o reabastecimento foi normalizado: “Minha mãe, que mora perto, chegou a reclamar, mas, não foi por tanto tempo como nos outros locais”.

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