Ex-jogador decapitado é enterrado em Sulacap

Esposa da vítima afirmou, em depoimento, não saber de dívidas do marido ou ameaças

Por O Dia

Rio - Os restos mortais do ex-jogador de futebol e comerciante João Rodrigo Silva Santos, de 35 anos, foram sepultados, na tarde desta quinta-feira, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste do Rio. Segunda-feira passada, após ser sequestrado, ele foi decapitada e sua cabeça foi colocada na mochila que usava. 

Cerca de 100 pessoas compareceram à cerimônia e muitas delas usavam camisas de times pelos quais ele passou como Bangu, Boa Vista e Madureira.

A irmã da vítima, Renata Maria Silva Santos, de 47 anos, acredita que o crime tenha sido motivado por inveja, já que o ex-jogador era uma pessoa muito querida na região e não tinha inimigos. A outra irmã, Roseane Maria, de 46, relatou que a cidade natal dele, em Minas Gerais, está de luto.

A mulher de João Rodrigo, a soldado da PM Geísa Silva, de 31 anos, encontrou a cabeça do marido, sem os olhos nem a língua, em frente à casa onde eles moravam. A Divisão de Homicídios (DH) trabalha com várias linhas de investigação para o crime.

João Rodrigo Silva Santos atuou pelo Bangu entre 1996 e 2005.Reprodução Internet

Partes de um corpo encontradas nesta quarta no Rio Guandu, em Queimados, podem ser dele. A família teria reconhecido o cadáver como sendo de João através de tatuagem e marca de nascença. Porém, somente exame de DNA poderá confirmar. O laudo do IML deve sair em 15 dias.

Na DH, onde depôs durante mais de cinco horas, Geísa, que trabalha em função administrativa e dá aulas de Educação Física na UPP São Carlos, no Estácio, disse não saber de dívidas do marido ou ameaças a ele ou a si mesma pelo fato de ser policial. Muito abalada, ela será ouvida ainda por psicólogos da DH.

A delegacia especializada já ouviu cinco testemunhas. Três delas presenciaram o momento do sequestro, por volta das 21h, na porta da loja de João Rodrigo, que vende suplementos alimentares ao lado de uma academia de ginástica na Rua Piracaia, também em Realengo. Uma câmera de segurança flagrou a abordagem e as imagens estão em análise.

“A DH trabalha com linhas de investigação diversas: ação de traficantes ou milicianos; vingança por algo que tenha ocorrido no passado da vítima; latrocínio, já que o carro dele foi levado; mas também não descarta que o fato dele ser casado com uma PM possa ter motivado o crime”, explicou o delegado William Pena Jr.

O carro de João Rodrigo, no qual ele foi levado, um Hyundai i30, ainda está desaparecido, e a suspeita dos investigadores é que o resto do corpo dele esteja no veículo. Cinco equipes da especializada fazem buscas na Zona Oeste atrás do carro, e procuram mais testemunhas e possíveis outras imagens da fuga dos bandidos no momento do sequestro.

Astro do Bangu

Na noite de segunda, sem conseguir falar com o marido, Geísa pediu ajuda a colegas do 14º BPM e registrou o desaparecimento na 33ª DP (Realengo). Afonso Silva, irmão dela, informou que o casal vivia junto há 11 anos e que João tinha um filho de uma relação anterior.

João Rodrigo era mineiro. Defendeu profissionalmente o Bangu, onde começou a carreira, o Madureira e o Boavista, além de clubes de Honduras e da Suécia. Em 2000, foi artilheiro do Bangu no Campeonato Brasileiro da 2ª Divisão. Em 103 partidas pelo time da Zona Oeste, marcou 33 gols.

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