Número de assassinatos aumenta 38,1% no Rio

Casos de roubos a coletivos, pedestres, veículos e estabelecimentos também disparam

Por thiago.antunes

Rio - O número de homicídios dolosos (quando há intenção de matar) aumentou 38,1% em agosto, se comparado com o mesmo período do ano passado: de 294 saltou para 406 — destes, 140 só na Baixada. Em relação a julho deste ano, subiu 30,9% (de 310 para 406). Os dados, que referem-se ao Estado do Rio, são do Instituto de Segurança Pública (ISP), que também registrou crescimento nos casos de latrocínio (roubo seguido de morte): de 11 para 17.

Também aumentaram os registros de roubo em coletivos, 82,3%, de de 345 para 629; roubo de veículos, 44,3%, de 1.751 para 2.527; roubo de telefones celulares, 43,9%, de 371 para 534; e roubo a transeunte, 32,5%, de 4.041 para 5.353.

Ainda segundo o ISP, houve aumento de 26% nos casos de roubo a residências (de 100 para 126) e de 44,5% nos de roubo a estabelecimentos comerciais (de 422 para 610). Para o sociólogo e especialista em segurança Ignácio Cano, o governo precisa repensar políticas públicas de segurança para enfrentar o crescimento da violência, priorizando a população da Zona Oeste e da Baixada. “Fizeram uma UPP no Cerro Corá (Cosme Velho) para garantir a segurança do Papa, mas permitem que muitos continuem morrendo em favelas dominadas pelo tráfico”.

Segundo ele, como não há recursos para implantar UPPs em todo o estado, é necessário garantir as unidades em favelas de alta letalidade como a de Antares, em Santa Cruz, e criar urgentemente uma Divisão de Homicídios na Baixada. “Até hoje as políticas têm sido muito seletivas. É preocupante. Da mesma forma que as UPPs foram criadas para combater o tráfico, é preciso um modelo para enfrentar as milícias”. 

Por outro lado, diminuiu 11,3% o número de roubos de cargas (de 328 para 291). Sobre a produtividade policial, aumentou o número de apreensão de drogas (13,6%, de 1.257 em agosto de 2012 para 1.428 em agosto deste ano); o de armas apreendidas (1,9%, de 594 para 605); o de recuperação de veículos (36,6%, de 1.395 para 1.906). Aumentou ainda o número de prisões (11,4%, de 2.151 para 2.396).

Fetranspor e passageiros no mesmo lado: o das vítimas

Em lados opostos nas ruas durante os últimos meses, devido aos protestos envolvendo o preço das passagens, quando o assunto é violência, Fetranspor e passageiros estão do mesmo lado: o das vítimas. 

Impossibilitada de contratar seguranças particulares, como fazem o Metrô e a SuperVia, a Fetranspor afirmou através de nota que está sempre disposta a colaborar com a Secretaria de Segurança, disponibilizando, por exemplo, imagens de suas câmeras instaladas nos veículos.

Pelo lado dos passageiros, a sensação de insegurança tem aumentado na proporção dos índices. A universitária Roberta Moraes, de 24 anos, moradora de Copacabana, conta que a violência está fora de controle no bairro onde vive, e no Centro, onde faz estágio. “Teve tiroteio na Siqueira Campos neste fim de semana. No Centro, pivetes fazem o que querem. E sem contar as saidinhas de banco”, reclama Roberta, que em julho foi assaltada em plena Avenida Rio Branco.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia