Rendimento de quadrilha de milicianos chegava a R$ 400 mil por mês

Ação de criminosos envolve agiotagem, tranporte alternativo, segurança e, até mesmo, venda de armas para traficantes

Por O Dia

Rio - A operação para prender milicianos que atuam em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, resultou na prisão de 10 pessoas até o início da tarde desta quinta-feira. De acordo com o delegado titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas (Draco), Alexandre Capote, a rede de atuação dos criminosos envolvia agiotagem, um convênio com o jogo do bicho e até associação com traficantes de drogas. O rendimento do esquema chegava a R$ 400 mil por mês.

"Eles seguem um padrão de milícia, mas com apetite mais voraz. Quem não aceita suas ordens recebe ameaça, uma espécie de aviso. Depois, esta pessoa pode ser perseguida e morta", explicou o delegado. A quadrilha, composta por mais de 30 pessoas, era conhecida como Família É Nós, em referência ao ex-vereador da cidade Jonas Gonçalves da Silva, o Jonas é Nós. Eles andavam sempre armados e usavam um estabelecimento da região como clube de tortura. No mesmo local, o grupo promovia festas.

Agentes encontraram central clandestina de TV durante a operaçãoDivulgação

"Quando estas pessoas eram soltas, elas fuzilavam as vítimas por raiva. Eles são extremamentos violentos. Tanto que ficou comprovado o envolvimento deles com o tráfic de drogas", afirmou Fábio Miguel, promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), destacando o fato de que alguns dos presos são suspeitos do assassinato de sete testemunhas da ação da milícia.

O grupo participava de ações de espólio de propriedades e parcelamento irregular do solo urbano. “Ao Samuel e Lucio, cabiam a gerência, enquanto outros buscavam clientes e realizavam as cobranças. Apreendemos documentos que comprovam esta agiotagem”, completou o delegado Alexandre Capote.

Acusado de chefiar o bando%2C o ex-vereador Jonas Gonçalves (de branco) deixa a 4ª DP (Central do Brasil)Alessandro Costa / Agência O Dia

Operação Capa Preta

A Operação Capa Preta II visa cumprir 23 mandados de prisão preventiva. Foram presos até agora Fábio Delfino de Oliveira; Eder Fabio Gonçalves da Silva, "Fábio É Nós"; Samuel Felipe Dantas de Farias, Jonas é Nós, Fábio Grama Miranda, Jorge Luiz Moreira de Souza, José Gomes da Rocha Neto, o "Kiko"; Wander Lucio Pereira Gomes; Roberto Wagner Lima de Castro, "Betão", e Lucio Rocha Loyola.

Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Duque de Caxias por formação de quadrilha armada para a prática de crime hediondo. Cerca de 300 policiais participaram da operação.

Entre os integrantes da quadrilha que tiveram a prisão decretada estão sete policiais militares, um ex-policial civil, dois fuzileiros navais e cinco ex-policiais militares.

A quadrilha, de acordo com as investigações, age pelo menos desde 2007 nos bairros do Pantanal, Parque Fluminense, Parque Muísa, São Bento, Pilar, Vila Rosário, Vila São José, Parque Suécia, Lote XV, Sarapuí, Vila Guaíra, Jardim Leal e Gramacho, todos situados no município de Duque de Caxias.

Entre as práticas criminosas perpetradas pela quadrilha destacam-se a cobrança de “taxas” por serviços clandestinos de segurança; a imposição da compra de cestas básicas por valores acima do mercado; o tráfico de armas de fogo, a agiotagem, a invasão de propriedades, o parcelamento irregular do solo urbano; a exploração da distribuição ilícita de sinal de TV a cabo, internet e jogos de azar; a prestação de serviços de transporte coletivo alternativo clandestino (vans e mototáxis); e a venda ilegal de botijões de gás.

As ações da quadrilha são cruéis e envolvem a prática de homicídios, ocultação de cadáveres, tortura, lesões corporais graves, extorsões, ameaças, constrangimentos ilegais e injúrias. Entre os réus estão Jonas Gonçalves da Silva, o Jonas é Nós, ex-vereador de Duque de Caxias, e José Gomes da Rocha Neto, o Kiko, preso em abril de 2013 por envolvimento no assassinato de dois empresários paulistas.

Em 2010, na Capa Preta I, foram presas cerca de 30 pessoas, mas, em seguida, mais da metade foi solta. Já em 2012, na Operação Purificadora, outros suspeitos foram detidos, e novamente ganharam liberdade. Desde então, testemunhas foram mortas pelos criminosos.

A operação Capa Preta II é um trabalho conjunto da Draco, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da SSINTE, da Coordenadoria de Inteligência da Polícia Militar, da Corregedoria da Polícia Militar, com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

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