Por thiago.antunes

Rio - Um protesto que reuniu cerca de mil pessoas no Centro do Rio, na tarde desta quinta-feira, chamou a atenção de quem passava pelo bom humor, irreverência e pela não violência. Denominado “Grito da Liberdade”, a passeata partiu do Fórum e foi até a Lapa, passando pela Candelária e toda a extensão da Avenida Rio Branco, sem nenhum tipo de depredação ou confronto com policiais.

A passeata, que pedia o fim da aplicação das leis de Segurança Nacional e Crime Organizado contra ativistas, contou com a presença de militantes de vários partidos políticos (Psol, PSTU, PCR e PT), integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e parlamentares, além de outros movimentos sociais. 

Batman participou da manifestação, que terminou na LapaAndré Mourão / Agência O Dia

Artistas globais como Wagner Moura, Mariana Ximenes, Marcos Palmeiras e Camila Pitanga, que gravaram um vídeo convocando os cariocas a comparecer ao ato, não apareceram. Representando a classe artística, estavam a atriz Teresa Seiblitz e o poeta Chacal. Entre as reivindicações dos manifestantes, estavam também o fim das “prisões políticas”, a anistia aos “presos políticos”, a garantia do direito à livre manifestação, a liberdade irrestrita de expressões artísticas, culturais, sociais e políticas nos espaços públicos, o fim da violência policial e uso de armas letais e não-letais pelos PMs nos protestos, além da desmilitarização da corporação.

Trânsito fechado

Policiais do Batalhão de Choque (BPChq) acompanharam a passeata e não houve confrontos com manifestantes. Diversas vias do entorno chegaram a ser bloqueadas, mas foram liberadas logo após a passagem da passeata. Entre elas, foram interditadas a pista lateral da Avenida Presidente Antônio Carlos e a Rua 1º de Março (parcialmente). Ficaram fechadas a Rio Branco e trecho da Presidente Vargas, na altura da Avenida Passos.

Manifestantes caminharam até os Arcos da LapaReprodução Internet

Procura de cursos para utilização de armas não letais aumenta 50%

Desde junho, devido às centenas de manifestações no país, a procura por treinamento de uso de armamentos não letais aumentou em mais de 50%. Ontem, no Quartel General do Batalhão de Choque, no Centro, 30 homens do BPM, da Polícia Montada e do Batalhão de Policiamento nos Estádios participaram de um curso, que formará instrutores de tecnologias não letais. “Além de estarem capacitados, os formandos poderão disseminar o uso correto dos armamentos para controle de multidões”, disse o comandante da Polícia Militar, Márcio de Oliveira Rocha.

Um novo tipo de granada (já em uso pela polícia) também foi apresentado. Com uso instantâneo, o armamento usa pó de pimenta ou lacrimogêneo, em vez de gás. Com isto, não há dispersão pelo ar, sendo ideal para uso próximo a residências e hospitais, por exemplo.
Os policiais militares terão aulas teóricas e passarão por testes psicológicos.

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