Por thiago.antunes

Rio - A menos de um ano para a realização da Copa do Mundo de futebol, e a 36 meses das Olimpíadas, brasileiros católicos estão sendo aconselhados pela Igreja a não ficar assistindo à preparação dos eventos de camarote nas arquibancadas. Fiéis do Rio e das outras 11 cidades-sedes da Copa de 2014 foram orientados a entrar em campo para combater remoções de moradores, exploração sexual e ‘higienização’ das cidades, além de acolher turistas que virão para os dois maiores encontros esportivos do mundo.

A Conferência Episcopal Brasileira tem lançado alertas sobre os desafios sociais relacionados aos megaeventos. Segundo dados da Anistia Internacional, 19.200 famílias foram removidas no Rio desde 2009, quando o governo iniciou obras de infraestrutura, estradas, estacionamentos para a Copa e os Jogos Olímpicos. A preocupação da Igreja foi destaque no portal de notícias do Vaticano, em cinco idiomas.

Papa Francisco evitou tocar em temas polêmicos durante a JMJAndré Mourão / Agência O Dia

Durante encontro este mês, em Brasília, foi montado um grupo de trabalho nacional, com a participação das pastorais do Turismo, do Povo de Rua e da Mulher Marginalizada, para articular os comitês arquidiocesanos locais. A proposta é organizar um calendário comum de atividades e elaborar uma cartilha com orientação para capacitar agentes de pastoral para o acolhimento de turistas, nos mesmos moldes da recepção calorosa feita por católicos durante a Jornada Mundial da Juventude, em julho deste ano, tantas vezes elogiada pelo Papa Francisco.

O bispo da Pastoral do Turismo e arcebispo de Maringá, Dom Anuar Battisti, disse que a Igreja precisa se posicionar diante da realidade sofrida por tantas pessoas. “Com os eventos, aumenta o risco de situações de prostituição atingindo especialmente a juventude e até mesmo crianças e adolescentes, fato que já é realidade em nosso país”, afirmou Dom Battisti: “Um encontro desta magnitude influencia a vida dos países que se propõem a sediá-la. Basta pensar nas pessoas envolvidas na construção das infraestruturas ou vítimas de remoções forçadas nas áreas próximas aos novos estádios”, diz.

Combate ao uso de anticoncepcionais e à eutanásia

Em sua passagem pelo Brasil, o Papa Francisco evitou tocar em temas polêmicos. Nos discursos direcionados aos jovens, o Pontífice falou apenas sobre solidariedade, combate à fome e justiça social. Mas a Igreja deixou para os fiéis que participaram da JMJ o ‘Manual de Bioética’, com a posição do clero sobre assuntos espinhosos como eutanásia, adoção de crianças por casais do mesmo sexo, clonagem e fecundação in vitro. O documento considera a pílula do dia seguinte e o DIU métodos abortivos.

Elogiados pela calorosa recepção na JMJ%2C católicos brasileiros são novamente chamados a acolher turistas na Copa do Mundo e nas OlimpíadasEstefan Radovicz / Agência O Dia

Com uma série de perguntas, respostas e depoimentos, o texto defende que a razão e a fé não podem ser separadas em nome dos avanços científicos. Para a Igreja, a qualidade de uma civilização se mede pelo respeito que esta consagra aos mais fracos, do embrião à pessoa no final da vida. O manual foi produzido pela Fundação Jérôme Lejeune, junto com a Comissão Nacional da Pastoral Familiar, organismo ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

No documento, a Igreja combate o diagnóstico pré-natal alegando que “a deficiência da criança não deve ser razão para interrupção da gravidez” e diz que a eutanásia é um crime contra a vida e atentado contra a humanidade. Sobre a adoção por gays, o texto prega que é preciso homem e mulher para gerar um filho. “Crianças precisam de pai e mãe para poder construir a sua personalidade”, diz a Igreja. O manual também recrimina a pesquisa com embriões (considerada antiética), o uso de embriões congelados e a seleção de bebês perfeitos.

Dez milhões de seguidores

Com mensagens de vida postadas diariamente em sua conta no Twitter, o Papa Francisco superou os 10 milhões de seguidores na semana passada. O feito foi comemorado no próprio microblog de Sua Santidade. O Papa agradeceu com um tweet divulgado em nove idiomas diferentes, inclusive o latim. Em português, a breve mensagem papal dizia: “Queridos Seguidores, soube que já sois mais de 10 milhões! Agradeço-vos do fundo do coração e peço que continueis a rezar por mim.”

Dom Claudio Maria Celli, presidente do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais, estima que cada mensagem atinja 60 milhões de pessoas em todo o mundo. A língua com maior número de seguidores é o espanhol (mais de 4 milhões), seguida pelo inglês (3,1 milhões) e italiano (1,2 milhões). A conta foi aberta pelo seu antecessor Bento XVI, em 12 de dezembro de 2012.

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