Por bianca.lobianco

Rio - O corpo do ator Jorge Dória está sendo velado na Capela 1, do Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Norte, nesta quinta-feira. Familiares e amigos prestam homenagens ao ator de 92 anos que morreu nesta quarta-feira após complicações cardiorrespiratórias e renais. Dória estava internado desde o dia 27 de setembro, no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Barra D'Or, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

O corpo do ator será cremado na tarde desta quinta, às 16h. Ele deixa um filho, Rodrigo, fruto da união com a atriz Leda Valle. Ele também foi casado com a vedete Irís Bruzzi. O ator se afastou da telinha devido aos seus problemas de saúde, decorrente de um acidente vascular cerebral (AVC). Seu último papel foi no programa humorístico "Zorra Total", da Rede Globo.

Corpo de Jorge Dória é velado no cemitério Memorial do Carmo, no CajuDivulgação

Trajetória

Jorge Pires Ferreira, que viria a ser conhecido apenas como Jorge Dória, nasceu em 12 de dezembro de 1920, no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Por ser filho de militar, teve uma educação rígida e foi designado a seguir a tradição familiar e se tornar um funcionário público. Porém, após a morte de seu pai, Jorge resolveu seguir a vocação para as artes. Ele então passa a assinar Jorge Dória, homenageando o amigo Leoni Dória Machado, com quem escreveu a peça "As Pernas da Herdeira" (1951). Este espetáculo marcou sua estreia no teatro dirigido por Esther Leão.

Em 1962, o ator ganhou o Prêmio Saci na categoria ator coadjuvante pelo "O Assalto ao Trem Pagador". No longa de Roberto Farias, Dória contracena com Eliezer Gomes, Luíza Maranhão e Helena Ignez. Dois anos depois, "Asfalto Selvagem, de J.B.Tanko, com Jece Valadão, Vera Vianna e Nestor Montemar. A produção de Nelson Rodrigues, que tratava do incesto entre irmãos fez com que o filme fosse proibido pelo golpe militar.

Sua estreia no cinema foi em 1947 no longa "Mãe" de Teófilo Barros. Ao longo da carreira ele fez mais de 80 participações em filmes, seriados e novelas, mas foi na comédia que ganhou destaque. Entre os personagens marcantes está George, o homossexual primeira montagem de “A Gaiola das Loucas”. Na televisão ele estreou em 1970 na extinta TV Tupi. Em 1973 estrelou a primeira versão de "A Grande Família", na TV Globo, na ocasião ele viveu o funcionário público certinho, Lineu, que na atual versão é interpretado por Marco Nanini.

Jorge Dória como o Conselheiro Vanoli de “Que Rei Sou Eu%3F” (1989)Divulgação


Dória conquistou a crítica e o público com o Conselheiro Vanoli de “Que Rei Sou Eu?” (1989), personagem que lhe rendeu prêmio de melhor ator pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). O ator ganhou destaque também em "Champagne" (1983), novela de Cassiano Gabus Mendes, em que interpretou Zé Brandão, um dos suspeitos de assassinar a copeira Zaíde (Suzane Carvalho). Dória atuou ainda em "Meu Bem, Meu Mal" (1990), "Zazá" (1997), "Era uma Vez" (1998) e "Suave Veneno" (1999).

Último trabalho de jorge Dória na TV foi no humorístico "Zorra Total"Reprodução

Ainda na TV ele participou de "Sai de Baixo", como Alfredão, no episódio "Luneta Indiscreta"; e do
seriado "Os Normais", com a dupla Fernanda Torres e Luis Fernando Guimarães, no episódio "Fazer as Pazes é Normal".

Nos anos 2000 ele foi convidado a fazer parte do humorístico "Zorra Total" em que estrelou um pai machão que vivia às voltas com o filho homossexual. Na época, o quadro obteve tanto
sucesso que fez o bordão “onde foi que eu errei?” cair na boca do povo. “O comediante, para
conseguir o riso da plateia, precisa achar o ritmo de falar diretamente com ela. Tenho muito
prazer em fazer humor”, revelou o ator em 2002 em uma entrevista.

Em 2001, fez parte da oitava temporada da novelinha teen "Malhação", no papel de Carmelo.


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