Por thiago.antunes

Rio - Preso na Operação Liberdade, desencadeada após investigação da Polícia Civil e do Ministério Público, o aposentado Zélio Araújo da Costa, de 64 anos, foi solto poucas horas após ser capturado por engano, na terça-feira. Acusado de ser o responsável por empacotar drogas na Favela do Dique, em São João de Meriti, o idoso acabou pego enquanto dormia em casa, a poucos metros de outro imóvel onde moraria o suposto traficante José Carvalho da Silva, o verdadeiro alvo dos agentes. Em comum, apenas o apelido deles: ‘Zeca’.

O ex-motorista de ônibus foi levado à Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) com mais 11 pessoas que tiveram mandados de prisão expedidos por tráfico de drogas e roubos de carros e cargas. Segundo o filho de Zélio, Leandro Costa, o pai foi liberado por volta das 20 horas de terça-feira, após ele alertar a confusão para a polícia.

Zélio Araújo (com camisa do Vasco) ao lado da família no Dia dos PaisReprodução

“Os policiais compararam a foto do traficante com a do meu pai e viram que não se tratava dele. Depois de liberá-lo, pediram desculpas”, disse o assistente administrativo. Ainda segundo Leandro, o pai é cego de um olho, tem a audição comprometida, não consegue nem se locomover sozinho e já foi confundido outra vez com um criminoso.

“Da primeira vez, a PM tirou ele de casa, achando que fosse um bandido, e o agrediu”, revelou.
Leandro afirmou também que já conversa com um advogado para entrar na Justiça contra o Estado do Rio por conta da prisão equivocada. “Não quero dinheiro, só quero que a imagem dele fique limpa diante da sociedade, afirmou.

De acordo com o delegado Márcio Mendonça, titular da Delegacia de Combate às Drogas, após o cumprimento do mandado de prisão, ele detectou o erro e imediatamente solicitou à Justiça o cancelamento da prisão de Zélio e a expedição do mandado de prisão de José Carvalho da Silva.
“Zélio foi solto às 18h desta terça-feira e não chegou a ser levado para a Polinter”, informou, em nota oficial.

A Polícia Civil também comunicou que a Corregedoria Interna (Coinpol) solicitou à delegacia um relatório sobre o inquérito para que analise a investigação. Porém, afirmou que o suposto criminoso José Carvalho, acusado de empacotar drogas, é namorado da filha de Zélio e utilizava uma linha telefônica que estava no nome da namorada. Já o Ministério Público afirmou que informações sobre o caso serão passadas pela polícia.

Aumento da criminalidade

A Operação Liberdade, que prendeu Zélio por engano, também resultou na apreensão de R$ 3.400 em espécie, munição de vários calibres, celulares, laptops e aparelhos eletrônicos usados nas atividades criminosas da quadrilha que agia na favela do Dique e no Complexo da Vila Ruth, em São João de Meriti. 

Em coletiva sobre a operação, o delegado Márcio Mendonça disse que um dos motivadores da operação foi o aumento da criminalidade na cidade da Baixada. Já o promotor Rogério Lima Sá Ferreira contou que as investigações começaram há cinco meses e 19 mandados de prisão foram expedidos. Sete denunciados continuam foragidos.

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