Por tamyres.matos

Rio - Supostos excessos de alunos da unidade Humaitá do Colégio Pedro II têm colocado o grêmio estudantil em pé de guerra com um grupo de professores insatisfeitos, conforme adiantou a coluna Informe do DIA desta terça-feira. A participação deliberativa de estudantes nas decisões do colégio, exclusividade do Humaitá, tem gerado críticas por parte de alguns docentes, que consideram dar ‘excesso de poder’ nas mãos dos jovens e defendem medidas mais coercitivas.

As críticas se referem a dois episódios. Um deles ocorreu há dois meses, com a publicação de um jornal escolar com mensagens ofensivas a uma professora, ato resolvido com palestras sobre ética. O outro foi há quatro dias, quando diretora-adjunta foi atingida por um balão d’água dentro da escola e ainda não se sabe se haverá punições. As ações são debatidas em conselhos envolvendo professores, diretores, técnicos e os próprios alunos.

Nas redes sociais, a insatisfação é explícita: “Democracia e liberdade de expressão parecem estar dissociadas da responsabilidade e do respeito ao próximo”, escreveu um professor no Facebook. “Em momento algum se delegaria totais poderes ao grêmio”, comenta outra.

Segundo o grêmio, a presença do alunado nos conselhos garante que suas ações não sejam criminalizadas e que o campus seja gerido de maneira mais justa. Em nota, os estudantes afirmaram que a guerra de água é uma ‘tradição de despedida dos alunos do 3° ano’. Já no caso do periódico, foi publicado pedido formal de desculpas à diretora-adjunta e os estudantes assistiram a palestras.

Para Oscar Halac, reitor do Colégio Pedro II, democracia nunca é demais. “Não defendemos processos punitivos, e sim educativos. Temos que reformar o código de ética e dar a chance de os próprios meninos se recomporem”, acredita Halac.

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