Idosa morta dentro de igreja: arma de policial é periciada

Vítima levou tiro nas costas quando PM trocava tiros com bandidos em Bonsucesso

Por O Dia

Rio - Investigadores da Divisão de Homicídios (DH) já ouviram o policial militar que participou da troca de tiros na qual uma bala perdida matou a aposentada Maria Aldemir das Chagas Silva, de 77 anos, domingo à noite, em Bonsucesso. Ainda segundo a Polícia Civil, a arma do PM foi apreendida para perícia. Testemunhas são aguardadas na DH para dar detalhes da tentativa de assalto. Os bandidos fugiram. O enterro está marcado para esta terça-feira, às 11h, no Cemitério de Inhaúma.

Maria Aldemir foi baleada nas costas, na Igreja Nossa Senhora de Bonsucesso. Levada ao Hospital Federal de Bonsucesso, não resistiu. Ela tentava abrir a porta da cantina da paróquia, onde trabalhava, quando caiu. O tiro que vitimou Maria Aldemir foi disparado num confronto entre o PM, de folga, e bandidos. O militar reagiu a uma tentativa de assalto enquanto estacionava seu carro na Rua General Galiene, onde fica a igreja. Quando o tiroteio começou, o policial correu para igreja, e uma bala acabou acertando a idosa.

Antônio e Rosângela Caridade%2C genro e filha da idosa%2C no IML%3A enterro acontecerá em InhaúmaEstefan Radovicz / Agência O Dia

Por volta das 18h30 de domingo, o padre Geraldo de Lima fazia sua pregação. “Foi nesse momento que começamos a ouvir os tiros. Os fiéis entraram em pânico, e muitos se jogaram no chão. Igreja não é para isso. Ela morreu quando eu falava sobre esperança”, lamentou o religioso, que teve seu carro atingido por um tiro. Ele mostrou paredes da igreja que foram alvejadas por outros disparos, em 2008.

“Ela não estava no lugar errado, na hora errada. Ela estava apenas trabalhando”, disse, emocionada, Regina Lúcia Silva, de 52 anos, filha de Maria Aldemir. “Ela não precisava trabalhar, mas gostava muito de ajudar as pessoas, por isso estava aqui”, lembrou Antônio Marcos Caridade, marido de Rosângela Caridade, outra filha da vítima.

“Não existe mais lugar seguro no Rio. E minha sogra morreu no lugar mais improvável, que é uma igreja”, resumiu Antônio.

Maria Aldemir das Chagas Silva%2C de 77 anos%2C estava na Igreja Nossa Senhora de BonsucessoEstefan Radovicz / Agência O Dia

UPP não evita violência

A implantação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em Manguinhos, no começo deste ano, não significou maior segurança para quem vive naquela região da Zona Norte, segundo moradores. De acordo com relatos deles, a violência aumentou após a ocupação do conjunto de favelas.

“Moro aqui há 46 anos e, mesmo antes da pacificação, não havia tanta violência assim. Policiamento bom é na Zona Sul. E na Zona Norte?”, indignou-se um morador, que vive na rua onde Maria Aldemir levou um tiro.

Número de roubos cresce na 21ª DP

De acordo com os últimos dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), houve um aumento no número de registros de alguns crimes na 21ª DP (Bonsucesso). Comparando os meses de agosto do ano passado e deste ano, o número de roubos a estabelecimentos comerciais aumentou: de quatro para 13. Os índices de roubos a pedestres saltaram de 47 para 77, e o número de veículos roubados saiu de 37 para 42.

No mesmo comparativo, o número de homicídios caiu: 10 em agosto do ano passado, contra apenas um registrado no mesmo mês neste ano. “Mesmo com esses números, o policiamento não aumenta”, disse uma comerciante.

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