Defesa de manicure que matou menino pedirá exame de sanidade mental

Em depoimento durante audiência, Suzana do Carmo disse que não pretendia matar João Felipe

Por O Dia

Rio - O defensor público Marcos Lang, que atua em defesa da manicure Suzana do Carmo de Oliveira Figueiredo, de 22 anos – que matou o estudante João Felipe Eiras Bichara, de 6 anos, morto em 25 de março deste ano em Barra do Piraí, no Sul Fluminense -, disse que vai pedir exame de sanidade mental da assassina. Nesa quarta-feira, ela participou de audiência de instrução e julgamento na 1ª Vara Criminal do município, mas se recusou a dar declarações ao juiz Maurílio Melo, alegando que não falaria na presença de jornalistas.

Algemada, com uniforme da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), aparentando estar bem de saúde e com laços vermelhos no cabelo bem tratado, ela apenas manteve o que disse no primeiro depoimento, no qual argumentou que não pretendia matar a vítima, e queria pedir R$ 300 mil de resgate. Ela contou ter matado João Felipe com medo de ser reconhecida por ele.

Suzane ouvida na 1ª Vara Criminal de PiraíErnesto Carriço / Agência O Dia

“No momento oportuno, deverei pedir o exame de sanidade mental”, afirmou Lang, garantindo que Suzana matou o garoto porque, na época,ela sofria da chamada síndrome pós-parto, por conta, segundo ele, de um aborto forçado que a manicure havia sofrido, quatro meses antes de ter cometido o crime.

Os pais de João Felipe e o taxista Rafael Fernandes, que no dia do crime, sem saber, levou Suzana com o corpo do menino em um lençol do Hotel São Luís para a casa da assassina, também prestaram depoimento, mas o conteúdo não foi revelado. Antes da audiência de ontem, emocionado, o avô de João Felipe, Heraldo Bichara, revelou que Aline está grávida de uma menina, que vai nascer no mês que vem e se chamará Amanda.

Mãe do menino João Felipe%2C Aline Bichara está grávida de oito mesesErnesto Carriço / Agência O Dia

"João Felipe queria ter uma irmã e havia pedido esse nome (Amanda). É nosso único conforto nessa longa história de dor", desabafou Heraldo, chorando, rebatendo as acusações de que seu filho tivesse engravidado Suzana. “Isso é mais uma calúnia contra nossa família. Todos nos conhecem em Barra do Piraí e sabem que temos boa índole”, disse.

O juiz Maurílio Melo estima que a sentença de Suzana, que pode chegar a 24 anos de prisão, só seja proferida no início do ano que vem. O processo agora será remetido ao Ministério Público e à Defensoria Pública para considerações finais e só então a Justiça dará a sentença. Ontem, a segurança do fórum foi reforçada por policiais do 10º BPM (Barra do Piraí), mas não houve manifestação.

Relembre o caso

No dia 25 de março, Suzana, fingindo ser a mãe do menino ao telefone, inventou que o estudante tinha que ir ao médico e o buscou, de táxi, no Colégio Medianeira. Ela o levou para o Hotel São Luiz, no Centro, onde o asfixiou com uma tolha e o matou. Como a criança tinha urinado e defecado ao ser sufocada, a manicure ainda teve frieza para lavar o cadáver, retirado do hotel também em táxi e escondido na própria casa, numa mala.

Suzana, que escapou de ser linchada em Barra do Piraí, foi presa no dia do crime. Pouco antes da detenção, ainda acompanhou a mãe do menino na porta da escola e na delegacia, ‘demonstrando’ comoção. A manicure conhecia a família da vítima há anos, pois prestava serviços para a mãe do estudante.

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