Aluno que teria sido vítima de trote na PM está no CTI

Vítima de insolação em curso para UPP, jovem teve queimaduras nas mãos e nádegas

Por O Dia

Rio - Um suposto trote no curso de formação de policiais para atuar em Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap), em Sulacap, terça-feira, teria levado um aluno ao Hospital Central da Polícia Militar, no Estácio. Em estado grave, ele teve queimaduras nas mãos e nádegas, além de insolação aguda. Pelo menos outros 10 colegas teriam passado mal durante os exercícios forçados.

A PM nega que o rapaz, que não teve o nome divulgado, tenha sido vítima de trote, alegando que ele ‘sofreu um mal súbito’. De acordo com denúncias em redes sociais, o aspirante da 5ª Companhia Alfa teria sido obrigado por quatro oficiais a se sentar por certo tempo no asfalto, apoiado pelas mãos, por volta do meio-dia, quando a sensação térmica era de 48º C. Outros colegas dele sofreram choques térmicos, pois os oficiais teriam jogado água gelada neles, mesmo suados, sob o sol forte.

“Só Deus sabe o que minha família está sofrendo. O sonho dele era entrar para PM e, graças a uma atitude de escravidão, falta de humanidade, o sonho dele está no CTI”, desabafou uma parente pela internet, que se identificou como Crislaine.

O trote teria se prolongado. Os oficiais teriam dado cinco minutos para 505 alunos beberem água em seis bicas e almoçar, o que levou parte da turma a passar mal. Uma dezena dos soldados, então, teria sido obrigada a ficar sentada no asfalto e fazer flexões. O presidente da Associação dos Cabos e Soldados da PM do Rio, Wanderley Ribeiro, classificou o episódio como ‘atos de tortura’.

“Vamos pedir explicações e detalhes dessa covardia por escrito e denunciar o caso ao Ministério Público e à Anistia Internacional”, adiantou Ribeiro. “Como formam policiais para lidar com comunidades como cães? E isso é recorrente”, afirmou.

Em nota, a PM alegou que ‘o aluno sofreu mal súbito enquanto estava em forma, junto com 490 alunos devido à alta temperatura’. “Seu quadro é estável, mas respira com auxílio de aparelhos. Os oficiais responsáveis pela turma foram substituídos. Um inquérito foi instaurado para apurar o caso”, diz o texto.

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