Delegacias em favelas não seriam suficientes

Para sociólogo, são serviços públicos que a população destas áreas precisa, e não de mais forças de segurança

Por O Dia

Rio - A implantação de delegacias em comunidades pacificadas não deve trazer mudanças significativas para os moradores, nem aproximá-los da polícia. A opinião é de especialistas ouvidos pelo DIA. Para o sociólogo Geraldo Tadeu Monteiro, são serviços públicos que a população destas áreas precisa, e não de mais forças de segurança.

“Já tem bastante policiamento, mas não temos um posto da Defensoria, um núcleo de mediação de conflitos, serviços básicos. Nesses locais, os traficantes não andam mais armados, mas eles continuam lá, controlando. Um morador, ao ser visto entrando numa delegacia, pode ser apontado como colaborador. Acho que serão pouco produtivas essas delegacias: vão consumir recursos públicos, ter policiais para ficar ociosos. E não vai haver um número de registros que justifique a estrutura”, argumentou Monteiro, diretor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio (Iuperj).

Pensamento parecido tem o advogado João Tancredo, militante em Direitos Humanos. “Estamos dispensando mais polícia. Como um morador, diante do cenário em que vivemos, vai registrar um violência contra um policial na sua comunidade? O Estado quer passar uma impressão que está dando levando cidadania ao local. Esses moradores precisam é de saúde e educação”.

Já o antropólogo e ex-capitão do Bope, Paulo Storani, acredita que os aspectos são mais positivos com a chegada das delegacias. “A grande questão é a mudança cultural na relação do morador com a polícia. Se for estabelecida uma relação de confiança, a delegacia pode ser o caminho para a consolidação dos direitos dos moradores.”

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