Cariocas mudam hábitos para enfrentar arrastões nas praias da Zona Sul

Banhistas evitam horários de pico e barraqueiros se armam para afugentar ladrões

Por O Dia

Rio - Um dos mais belos cartões-postais do Rio se transformou nos últimos dias em cenário de confusão. Além do aumento no policiamento — com delegacia móvel, 600 policiais militares e o Batalhão de Choque, com uniforme de educação física —, a onda de arrastões nas areias da Zona Sul impôs mudanças no comportamento de cariocas.

Desde o feriado do dia 15, a tensão tomou conta de banhistas: pontos patrulhados da praia e horários alternativos foram algumas das medidas adotadas. “Nos últimos dias só fiquei perto dos guardas”, disse a estudante Mariana Dias, de 24 anos.

Policiamento reforçado na praia%2C mesmo em sábado chuvosoEstefan Radovicz / Agência O Dia

Cenas de banhistas e comerciantes segurando hastes de barracas para intimidar assaltantes retratam o caos instaurado nas areias. “Vi freguês sendo assaltado e usei um porrete para assustar criminosos”, disse o barraqueiro Marcelo Cruz, 43. “Isso é absurdo também”, condena a advogada Lilian Mesquita, 34.

Revista nos ônibus

Medidas enérgicas adotadas nos anos 90, como revista nos ônibus que partem para a Zona Sul — especialmente vindos do Méier — , serão retomadas pela PM. A iniciativa é criticada pela socióloga da Uerj, Márcia Leite.

“Policiamento na praia é perfeito. Mas a revista em direção a um segmento da população é inadmissível. Isso estimula a segregação racial e espacial. A praia é pública”, declarou a pesquisadora.

O comerciante Marcelo Cruz impediu que um menor arrancasse o colar de uma mulher%2C próximo à sua barraca no ArpoadorEstefan Radovicz / Agência O Dia

Moradores já identificam as gangues

A ocorrência de assaltos no Arpoador aumentou há dois meses, segundo moradores de Ipanema. Eles já identificaram as gangues de bicicleta. “Cansamos de ver esses bandos de longe”, criticou o professor Marcos Antônio, 42.

O presidente da Associação Comerciail de Ipanema e Leblon, Carlos Monjardim, acredita que a delegacia móvel ajudará a conter as ações: “Muitos que foram assaltados ali não registraram. Comerciantes estão apreensivos, é claro. Esperamos mais de 3 milhões de turistas. Mas a Operação Verão vai acabar com isso”.

“Isso só vai melhorar quando existir organização do governo e políticas sociais”, reivindica o economista Manoel Domingues, 65.

Reforço em dia de chuva e praia vazia

Neste sábado, mesmo com o dia chuvoso e a praia de Ipanema completamente vazia, a polícia montou o aparato prometido para conter os arrastões. A delegacia móvel foi instalada no Arpoador. Viaturas policiais, quadriciclos e motos circularam pela areia e pelo calçadão. Um efetivo de 600 homens foi mobilizado — 460 a mais do que o normalmente utilizado na orla.

Alfredo Lopes, presidente da Associação de Hotéis do Rio, acredita que a operação policial dará mais segurança à população: “O verão está chegando e as autoridades sabem como agir”.

“Há violência em qualquer lugar. Adoraria morar aqui. Mas me disseram no hotel para tomar cuidado”, diz a argentina Luz Soares, 26 anos.

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