Recruta da PM morto após treinamento é enterrado com honras militares no Rio

Emoção marca sepultamento na Baixada

Por O Dia

Rio - Foi enterrado na tarde deste sábado em Engenheiro Pedreira, na Baixada, o recruta da PM Paulo Aparecido Santos de Lima, de 27 anos, que morreu após um treinamento no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP). Cerca de 150 pessoas, entre parentes, amigos e policiais compareceram ao sepultamento, que contou com honras militares.

Cerca de 150 pessoas compareceram ao sepultamento do aluno da PMLeandro Eiró / Agência O Dia

Paulo foi internado no dia 12 em estado grave com queimaduras nas mãos e nádegas, além de insolação aguda, e teve morte cerebral atestada na última segunda-feira. O recruta teria sido vítima de um suposto trote durante o curso no CFAP, onde 33 alunos passaram mal e pelo menos 16 tiveram queimaduras. Os quatro oficiais responsáveis pela turma foram substituídos, de acordo com a PM. Se comprovado excesso os oficiais serão responsabilizados.

Segundo denúncias em redes sociais, o aspirante da 5ª Companhia Alfa teria sido obrigado por quatro oficiais a se sentar por certo tempo no asfalto, apoiado pelas mãos, por volta do meio-dia, quando a sensação térmica era de 48º C. Outros colegas dele sofreram choques térmicos, pois os oficiais teriam jogado água gelada neles, mesmo suados, sob o sol forte.

O trote teria se prolongado. Os oficiais teriam dado cinco minutos para 505 alunos beberem água em seis bicas e almoçar, o que levou parte da turma a passar mal. Uma dezena dos soldados, então, teria sido obrigada a ficar sentada no asfalto e fazer flexões. O presidente da Associação dos Cabos e Soldados da PM do Rio, Wanderley Ribeiro, classificou o episódio como "atos de tortura".

Em nota, a Polícia Militar lamentou o caso: "não é uma rotina na Instituição e todas as hipóteses levantadas como causas do falecimento estão sendo investigadas através de um Inquérito Policial Militar (IPM)".

Beltrame chama de ‘homicídio’

O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, chamou de ‘homicídio’ o suposto trote que vitimou Paulo Aparecido Santos de Lima. “Foi uma conduta abominável. Não compactuamos com esse tipo de atuação. Infelizmente, perdemos um policial militar. A PM já formou 7.100 policiais (para UPPs) e não tivemos problema nenhum. Mas, dessa vez, sem dúvida nenhuma, essa ação teve minimamente um excesso por parte de quem instruiu. Essas pessoas vão responder por esse homicídio, e o inquérito vai nos falar se foi doloso ou culposo”, disse Beltrame.

Na quinta-feira, a Alerj fará audiência pública para debater o caso. Os quatro oficiais responsáveis pelo treinamento foram afastados das funções até o fim do Inquérito Policial Militar. Testemunhas já foram ouvidas. A turma de Paulo tem 490 alunos, que serão distribuídos entre as Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) do estado depois da formatura.

Últimas de Rio De Janeiro