Família de vítima em Manguinhos teme represálias

Mãe de rapaz não se conforma com procedimento de policiais e comparou sua história à do ajudante de pedreiro Amarildo

Por O Dia

Rio - Para a mãe de Paulo Roberto Pinho, morto em outubro na Favela de Manguinhos por PMs, a decretação da prisão dos envolvidos não encerra sua angústia. Fátima Pinho teme represálias, mas, por não ter condições financeiras, terá que continuar morando na comunidade. Fátima não consegue se conformar com o procedimento adotado pelos policiais e chegou a comparar a sua história à do ajudante de pedreiro Amarildo, que desapareceu na Rocinha, após ser detido por PMs na comunidade.

“O meu filho, mesmo que estivesse fazendo algo errado, deveria ter sido levado para a delegacia para prestar contas à Justiça. Eles (os policiais) serão presos e mesmo na cadeia poderão receber visitas da família. E eu, quando vou ver meu filho? Não posso”, desabafou Fátima.

Moradores de Manguinhos protestaram contra a UPP após o episódioThiago Lara / Agência O Dia

Toda a família mora na mesma casa em Manguinhos. Fátima teme pela filha de 13 anos, que, no mesmo dia em que Paulo foi morto, teve um fuzil apontado no peito por um soldado da UPP. Ela contou que os moradores realizavam uma manifestação contra a UPP quando uma garrafa de vidro foi lançada atrás de um PM. “O policial pegou a minha filha pelo braço, falou que havia sido ela e apontou o fuzil pra ela. Temo porque ele ainda trabalha aqui em Manguinhos”, relatou Fátima.