Por marcello.victor
Rio - Pelo terceiro dia consecutivo, um intenso tiroteio na Favela da Rocinha, que conta com Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), assustou moradores na noite de sexta-feira e madrugada deste sábado. Por volta de 22h, policiais do Batalhão de Choque foram recebidos a tiros por traficantes na Rua 1, na localidade conhecida como Roupa Suja, na área próxima ao túnel Zuzu Angel, em São Conrado. O confronto, que não deixou feridos, também aterrorizou motoristas na Autoestrada Lagoa-Barra, e se estendeu até 3h da manhã.
“Estamos apavorados. Os tiroteios vêm se sucedendo com cada vez mais frequência. Uma hora é entre bandidos rivais e outra, entre traficantes e policiais. Mesmo com UPP, nossa vida virou um inferno de novo. Não temos mais paz”, lamentou o vendedor ambulante X., de 46 anos.
Ele contou que foi abordado duas vezes ao sair para trabalhar no início da manhã de ontem. “A primeira vez foi por bandidos e a segunda, por PMs”, contou.
Apesar do intenso tiroteio durante a madrugada%2C Rocinha amanheceu sem reforço no policiamento ontemFabio Gonçalves / Agência O Dia

Apesar dos conflitos, na manhã de ontem não havia reforço na Rocinha. Apenas dois carros da UPP estavam estacionados numa das entradas da comunidade e uma terceira fazia rondas nas principais vias da favela.

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Alheios ao clima de terror, turistas circularam normalmente e tiraram fotos sobre a passarela na entrada da favela. Alertados por guias, porém, evitaram entrar na comunidade.
Na madrugada de quinta-feira, o soldado da UPP local Jaderson dos Anjos, de 31 anos, ficou ferido por estilhaços no rosto e na mão esquerda, durante troca de tiros com traficantes no Beco da Máscar, no alto da Rocinha.
Tráfico resiste à ocupação
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Mesmo com UPP instalada há pouco mais de um ano, os confrontos por disputas de vendas de droga ainda preocupam moradores da Favela da Rocinha. Desde a prisão do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, em novembro de 2011, facções ligadas a John Wallace Da Silva Viana, conhecido como Johnny, tentam monopolizar as bocas de fumo, controladas na parte alta pelo rival Luiz Carlos Jesus da Silva, o Djalma.
Os confrontos já provocaram mortes de traficantes e de policiais. Em 4 de abril o cabo Rodrigo Cavalcante, 33 anos, foi morto em patrulhamento. Em setembro, o soldado Diego Henriques, de 25 anos, morreu baleado após confronto.
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