Por thiago.antunes

Rio - A tranquilidade dos moradores do condomínio Povoado das Canoas, em São Conrado, foi, literalmente, abalada desde que começaram as obras da Linha 4 do metrô, que vai ligar Ipanema à Barra da Tijuca. As escavações, que acontecem a 150 metros do local, são precedidas de constantes explosões, que fazem tremer as casas.

Moradores contam que, após as obras, perceberam rachaduras em suas residências e que houve rompimento de canos que abastecem de água o condomínio. Eles denunciam ainda que micos e macacos, que circulavam pelo local, teriam desaparecido devido às explosões.

Roberto%2C funcionário do condomínio%2C já consertou três canos após a obra José Pedro Monteiro / Agência O Dia

O Consórcio Construtor Rio Barra, responsável pela obra, informou que o condomínio está fora da área de risco, mas prometeu vistoriar as casas e arcar com os prejuízos, se comprovada a sua responsabilidade. “Parece terremoto. Dá muito medo”, contou a publicitária Andrea Delgado. Ela está reformando a casa e a construção nova já apresentou problemas, como rachaduras no teto da varanda e no muro de pedra. “Percebi isso após as explosões do metrô”, disse Andrea, que há cinco meses recebeu uma carta do Metrô, avisando que fariam vistoria em sua residência.

“Disseram que viriam tirar fotos da minha casa, mas nunca ninguém apareceu”, reclamou a publicitária. A situação parece ser pior na casa da arquiteta Paula Pimenta. Parte do reboco do teto caiu e há rachaduras do lado de fora e no guarda-roupas do filho dela. “A parede rachada foi construída há sete anos e estourou uma tubulação do lado de fora. A casa tem 30 anos. Acredito que isso tenha acontecido devido às obras do metrô”, avaliou ela.


Conta de água aumenta em condomínio

O encarregado de serviços gerais do condomínio, Roberto Coelho, já consertou o terceiro cano que estourou após a obra do metrô. “A água jorrou como um chafariz”, contou ele que, quase caiu de uma árvore durante uma explosão. “Tremeu tudo”. A síndica Maria Edina Portinari disse que a média mensal da conta de água do condomínio subiu em R$ 10 mil. “Nossa conta é em torno de R$ 15 mil. Mas já recebi conta até de R$ 67 mil”, disse ela, que já acionou a Cedae e dia 12 se reuniu com o Metrô.

Os tremores também são sentidos pela atriz Adriana Figueiredo, que mora um pouco mais distante de Andrea e Paula. “Parece que as janelas vão quebrar. Não há rachadura na minha casa, mas estamos apavorados.”

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