Por thiago.antunes
Rio - Em posicionamento oficial, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) declarou, nesta quarta-feira, que abriu sindicância para apurar a conduta e o suposto envolvimento de dois advogados com o ataque ao Fórum de Bangu, em outubro, quando um policial e um menino de 8 anos foram mortos em troca de tiros entre PMs e a quadrilha. Os réus vão responder por dois homicídios qualificados, duas tentativas de homicídio e facilitação de fuga. O objetivo era resgatar criminosos durante audiência.
De acordo com a OAB, caso seja comprovado o envolvimento direto dos juristas com o ataque, ambos poderão ter as carteiras profissionais cassadas. De acordo com policiais, Adriana seria casada com Vanílson Venâncio Gomes, o Tida, um dos foragidos.

Os criminosos teriam partido do Morro do 18, em Água Santa, e da Favela do Guache, em Belford Roxo, em direção ao fórum. Segundo o delegado Rivaldo Barbosa, os detidos prestaram depoimentos. O sigilo em relação aos nomes de alguns deles seria estratégico. “As informações passadas estão sendo investigadas e, se divulgadas as identificadas, poderiam ser prejudicadas”.

Policiamento no Fórum de Bangu foi reforçado após a morte de um menino de 8 anos e um policial militarCarlos Moraes / Agência O Dia

'Só descansaremos quando todos estiverem na cadeia', diz delegado

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“Eles representam o mal. Invadiram um fórum e mataram duas pessoas. As buscas pelos outros envolvidos ainda não terminaram. Só descansaremos quando todos estiverem na cadeia”, disse o delegado Rivaldo Barbosa, da DH. 

Agentes estiveram na madrugada desta quarta-feira em Anchieta, Zona Norte, onde prenderam quatro acusados. Segundo Rivaldo Barbosa, eles teriam ajudado a planejar o ataque. Ainda foram cumpridos mandados contra os três traficantes que estavam presentes na audiência do dia 31 de outubro. Eles já estavam presos. Há quatro foragidos, mas apenas três deles tiveram a identidade revelada.

Tragédia atraiu a atenção de muita gente que passava perto do Fórum de BanguJadson Marques / Agência O Dia

Entre os quatro capturados em Anchieta está a advogada Adriana Godoy dos Santos Prado, que trabalhava para a facção do traficante Alexandre Bandeira de Melo, o Piolho, do Morro do 18, em Água Santa. As duas irmãs dela, cujos nomes não foram divulgados, também fazem parte da lista. O quarto preso também é advogado. Adriana é acusada de solicitar a presença de Piolho e de Vanderlan da Silva Gomes, o Chocolate, como testemunhas da audiência que tinha como réu Luis Armando Lopes Tavares Amadeu Vieira, o Dallas.

“Dallas era réu e pretendia fugir com os outros criminosos, sabia que era um dos beneficiários. O objetivo era causar uma fuga em massa”. Apontado inicialmente como o homem que comandou a ação, Leandro Nunes Botelho, o Scooby, não estaria entre os indiciados nesta fase da investigação. Como O DIA publicou com exclusividade, matar o juiz Alexandre Abrahão, então na 1ª Vara Criminal do bairro, também estava nos planos do bando. A frustrada ação vitimou o sargento Alexandre Oliveira, de 40, e Kayo da Silva, de 8, atingido por bala perdida.
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Pais ficam aliviados com as detenções

A notícia da prisão de quatro envolvidos no ataque foi recebida com alívio por familiares do menino Kayo, de 8, atingido por bala perdida enquanto ia para a aula de futsal no Bangu Atlético Clube. “Quero que cada um deles fique preso. Ninguém merece passar pela tristeza em que vivo atualmente”, desabafou Tiane da Silva, mãe do menino.

Amigos de Kayo foram ao enterro do meninoAlessandro Costa / Agência O Dia

Ela só conseguiu voltar a trabalhar na última terça-feira. Foi justamente no trabalho onde Adriano da Costa, pai do menino, soube das detenções. “Todos do escritório comemoraram como se fosse um gol da seleção”, disse. Embora comemore as prisões e agradeça pelo empenho policial, o avô do menino, Juamir Rosário, lembrou que a falta de segurança foi determinante para a morte. “O estado tem grande parcela de responsabilidade. Não há prisão que traga meu neto de volta”, declarou.

Promessa de prisões nos próximos dias
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A delegada Renata Araújo, da DH, revelou que as investigações foram feitas em duas etapas. “Na primeira, foi mapeado o planejamento e a mecânica da ação criminosa. Na segunda, identificamos os criminosos. Ainda temos um longo caminho pela frente. Teremos novas prisões nos próximos dias”, garantiu.
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