Por thiago.antunes

Rio - A Polícia Civil já pediu a prisão do suspeito de assassinar o ex-aluno do Colégio Pedro II, Conrado Chaves da Paz, de 19 anos, morto na Lapa. O crime, no domingo, chocou a população e chamou a atenção para a violência crescente no bairro, lotado de moradores de rua e viciados em crack que roubam e furtam pedestres e turistas. A Divisão de Homicídios (DH) identificou o acusado, que moraria nas ruas da região e teria aproximadamente 30 anos. A identidade do suspeito não foi divulgada para não atrapalhar o fim das investigações.

Os agentes devem encerrar o inquérito no início da próxima semana. Conrado comemorava seu novo emprego e aniversário de um amigo. Ele foi atacado por um grupo de usuários de crack no fim da madrugada, na Avenida República do Chile. Marcas no corpo indicavam que ele foi esfaqueado no coração. Segundo peritos, o jovem foi morto com faca serrilhada, tipo a usada para cortar pão, com lâmina de aproximadamente 12 centímetros.

Foram designados 180 PMs para garantir a segurança na Lapa e Saara%2C a partir desta sexta-feiraOsvaldo Praddo / Agência O Dia

As investigações concluíram que o crime foi um latrocínio (roubo seguido de morte) e que o motivo principal pode ter sido o celular do rapaz, que desapareceu. Conrado ainda carregava no bolso sua identidade, R$ 50 e cartão de crédito, que não foram levados. Ele estava sozinho e voltaria para casa, em Realengo, de ônibus.

A polícia ouviu diversas testemunhas e conseguiu imagens de câmeras próximas, o que ajudou na elucidação do crime e identificação do assassino. Até esta quinta-feira, os policiais ainda aguardavam que a Justiça analisasse o pedido de prisão do acusado pelo crime.

Conrado Chavez da Paz%2C 19 anos%2C foi morto com facada na Avenida ChileReprodução Internet

A atriz Ilva Niño, que há seis anos tem um teatro na Lapa, disse que a casa vai fechar as portas no dia 14. O motivo: a onda de violência e ataques de usuários de crack ao público. “Está um horror e as pessoas estão com medo de ir ao teatro. Os usuários ficam deitados no chão, pedem dinheiro, seguram as pessoas. Todos os comerciantes da região estão sofrendo porque a Lapa virou um local perigoso”, desabafou Ilva.


Cabral e Beltrame se reúnem com empresários nesta sexta-feira

O aumento da violência na Lapa vai ser tema de reunião com autoridades. Nesta sexta-feira, empresários do Polo Novo Rio Antigo e do SindRio se reúnem com o governador Sérgio Cabral e o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, no Palácio Guanabara.

O grupo vai cobrar das autoridades ações de combate ao crime que teriam sido acertadas em reuniões anteriores. Os empresários vão entregar propostas que vão desde o aumento de efetivo até a ocupação de pontos de vendas de drogas na Lapa e Centro.

A pedido de comerciantes da região, a Comissão de Segurança da Alerj, presidida pelo deputado Iranildo Campos (PSD), convocou audiência pública para o dia 12, às 10h, quando serão discutidos os índices de criminalidade na região. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), número de roubos a pedestres cresceu 46,5% entre junho e agosto na região do Centro, Lapa e entorno.

Lapa e Saara vão receber 180 PMs para coibir roubos a pedestres e turistas

A partir desta sexta, 180 policiais militares vão reforçar, diariamente, a segurança nas ruas da Lapa e do Centro Comercial Popular do Saara. O patrulhamento será realizado principalmente a pé, para coibir os roubos a pedestres e turistas. O centro comercial foi incluído na rota de reforço de policiamento devido ao grande número de consumidores fazendo compras de Natal. No fim de semana, o patrulhamento será feito por 100 policiais, de diversas unidades, em motos e viaturas.

Concentração de pessoas que vivem nas ruas em diversos pontos da Lapa assusta quem circula pela regiãoBanco de imagens

Na quarta-feira, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, declarou que o problema da Lapa não era de polícia,e sim social. “Não estou dizendo que morador de rua é bandido, mas ali no meio pode haver um usuário de drogas, que comete atos impulsivos. Estas pessoas precisam ser acolhidas”, disse.

Para o secretário de Desenvolvimento Social e vice-prefeito, Adilson Pires, cada secretaria tem sua parte na ação: “Há assaltantes misturados com moradores de rua. Fazemos a nossa parte, acolhemos as pessoas em situação de vulnerabilidade, mas existe a parte da polícia e ele (Beltrame) tem que assumir”.

Você pode gostar