Por adriano.araujo
Publicado 07/12/2013 21:50 | Atualizado 16/12/2013 15:50

Rio - O Hospital Municipal Evandro Freire, na Ilha do Governador, inaugurado há mais de nove meses, opera com apenas 60% de sua capacidade. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde, de 120 leitos da unidade, só 74 estão ativos. Além disso, das 20 Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), metade ainda não está funcionando. Em uma caminhada pelo hospital, é possível ver leitos novos vazios e salas de enfermarias ainda trancadas.

A unidade, que custou R$ 57 milhões aos cofres públicos, foi inaugurada no dia 1º de março, pela presidenta Dilma Rousseff, com a promessa de atender 6 mil pessoas por mês, e com foco no tratamento de usuários de crack. Em justificativa à ociosidade, a Secretaria de Saúde respondeu que a “abertura progressiva da unidade está relacionada ao aumento da demanda”.

Nem parece um hospital público%3A muito espaço ocioso e pouca gente atendida na unidade municipal inaugurada na Ilha do Governador este ano Alessandro Costa / Agência O Dia

“Neste primeiro instante, estão disponibilizados os leitos necessários para responder ao pronto atendimento, urgência e emergência, o que atende à demanda atual”, diz a nota. Questionada sobre quando os leitos serão abertos, a pasta afirmou que “a observação epidemiológica na Ilha, em particular, e na cidade, como um todo, definirá o momento adequado para a abertura dos novos leitos”.

A justificativa não convenceu o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), Nelson Nahon. Segundo o pediatra, há muitas pessoas na fila por leito. “Essa alegação é falsa, ainda mais com leitos novos, bons. Um hospital inaugurado há oito meses já era para estar funcionando por completo”.

Nahon também afirmou que fará uma vistoria no hospital para verificar a situação. “Se não tem demanda mesmo, o que acho difícil, não entendo os motivos pelos quais a Secretaria de Saúde não transfere os pacientes que estão em hospitais superlotados para o Evandro Freire”, comentou.

Enquanto isso, 1.225 pessoas à espera na fila

Inspeção do Ministério Público a 50 hospitais e unidades de Saúde do Rio, incluindo o Hospital Municipal Evandro Freire, entre 12 e 19 de agosto, constatou que 66% dos 1.225 pacientes nas emergências da rede pública aguardavam por atendimento. Outros 27% (220 pessoas) esperavam por vaga em leitos para adultos em UTI.

Ainda segundo o estudo, no mesmo período em que havia 1.225 pacientes na fila de espera, 32 leitos estavam ociosos. A Secretaria de Saúde alegou que “um leito de UTI encontrado desocupado na hora de uma visita dos peritos do MP pode estar, naquele exato momento, em preparação para receber outro doente,ou aguardando paciente transferido pela Central de Regulação.”

Mais que preparado para atender

?De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a Coordenação de Emergência Regional da Ilha do Governador opera, atualmente, com 17 leitos, distribuídos entre três de Sala Vermelha, 12 de Sala Amarela, uma de observação individual e uma de observação pediátrica.
Já o hospital conta com 20 leitos clínicos, incluindo seis de ortopedia, seis de cirurgia geral e 15 de saúde mental. A média diária de atendimentos é de 240.

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