Por bianca.lobianco
Publicado 07/12/2013 14:44 | Atualizado 07/12/2013 18:13

Rio - O morador da Rocinha Fábio Júnior Alves Araújo, de 23 anos, disse que por volta das 8h40 deste sábado, quando já estava ocorrendo a troca de tiros entre bandidos e traficantes na localidade, foi agredido por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) com um chute na costela esquerda e um tapa no pescoço.

A agressão teria ocorrido no alto da localidade conhecida como Roupa Suja, quando ele descia a rua. De acordo com o entregador de pet shot, eles não pediram documentos para a abordagem. "Já chegaram me agredindo com tapas e chutes. Um policial chegou até a dizer 'leva ele para o beco'. Pensei que ia morrer. Por sorte uma moradora viu a cena e gritou para o PM que eu era um trabalhador. Fui salvo por ela".  

Clima é tenso na Rocinha após recentes casos de violênciaSeverino Silva / Agência O Dia

Araújo também afirmou que os moradores estão passando por muita humilhação. "Desse jeito não dá nem para trabalhar", disse ele, que cancelou a comemoração de aniversário na sexta-feira por conta do intenso tiroteio na região. "Meu presente de aniversário foi porrada", lamentou. Ele seguiu para a 15ª DP (Gávea) para prestar queixa sobre o ocorrido. 

O primeiro secretário da Associação dos Moradores e Amigos do bairro Barcelos, Carlos Eduardo da Silva, de 36 anos, o Duda, afirmou que não há guerra entre facções rivais na localidade.

"O confronto é entre bandidos e policiais. Sabemos que há armamento pesado na comunidade, mas o que nos preocupa muito é a ação violenta e truculenta dos policiais do Core e do Choque. Eles estão com um comportamento de soberania. Agredindo moradores, hostilizando e ameaçando quem passa pela rua. Estão impondo um terror psicológico. Se continuar assim vamos ter mais um caso Amarildo na Rocinha', desabafa.

Ainda de acordo com o morador, PMs da UPP estão dando golpes de marreta durante as abordagens nas portas dos comerciantes. "Estão impondo um toque de recolher a partir das 20h. O que eles estão fazendo pelos bares da Rocinha é assustador.

Comando da UPP nega agressão

Em relação à agressão por parte de PMs da UPP Rocinha, a unidade afirma que abriu um procedimento apuratório com o objetivo de checar a denúncia. A major Priscila Azevedo também se colocou à disposição para receber as informações e detalhes da denúncia do morador na sede da UPP. Segundo comunicado, casos de truculência policial ou excessos nas abordagens podem ser informados também na Ouvidoria da Polícia, através do número (21) 3399-1199.

Tiroteio deixa dois PMs e três moradores feridos

Por volta das 8h30 da manhã deste sábado um novo tiroteio na comunidade foi registrado na Rua do Valão. Na ocasião, um policial militar e um homem que seria morador da comunidade foram baleados. O policial foi ferido no ombro, já o morador foi atingido na perna.

Também na noite desta sexta-feira um outro PM e dois moradores também foram atingidos durante troca de tiros. Eles foram socorridos e encaminhados para o Hospital Municipal Miguel Couto.

Embora o comércio esteja aberto normalmente, o clima é tenso na Rocinha. Moradores estão apreensivos e assustados. O policiamento foi reforçado na região.

Varredura 

A assessoria das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) informou que uma operação do Batalhão de Choque (BPChq) está em curso na comunidade. Nos últimos dias, as trocas de tiros entre policiais e traficantes tem sido frequentes na comunidade, já pacificada. Muitos moradores estão relatando a situação via Twitter. Na manhã deste sábado, eles pedem que a Autoestrada Lagoa-Barra seja evitada por conta de novos confrontos.

Na madrugada do dia 30, um PM também foi baleado na localidade. Na última quarta-feira, um confronto ocorreu na parte da tarde, quando bandidos dispararam contra PMs na localidade conhecida como Caixa D'Água, no alto da comunidade. Ninguém se feriu.

Edição: Bianca Lobianco

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