Por adriano.araujo
Publicado 07/12/2013 20:36 | Atualizado 07/12/2013 20:39

Rio - Preços imbatíveis, variedade de produtos e agilidade na compra. E tudo isso sem sair do conforto do seu carro. Parece propaganda do varejo, mas não é. A Avenida Brasil, na entrada da Favela Parque União, na Maré, se transformou em um ‘feirão’ ao ar livre de produtos aparentemente roubados e furtados. Os vendedores são usuários de crack, que oferecem livremente celulares, tablets, máquinas fotográficas e cordões, entre outros produtos, circulando entre os veículos na pista. Os preços variam de R$ 20 a R$ 50.

Celulares são oferecidos aos motoristas em plena pista da Avenida Brasil. Na hora do rush%2C o comércio esquenta Estefan Radovicz / Agência O Dia

Outro ponto que impressiona é que a ‘Crack Friday’, realizada nos arredores do número 6.505, ocorre a menos de 400 metros de um posto avançado do 22º BPM (Maré). E, mesmo diante da circulação constante de carros da Polícia Militar, os usuários de drogas erguem os braços na direção das janelas dos carros e expõem os produtos sem qualquer receio nas movimentadas pistas, em plena luz do dia.

Hora do rush

No início da tarde de quinta-feira, a equipe do DIA permaneceu no local por cerca de uma hora e trinta minutos, e flagrou pelo menos quatro homens oferecendo celulares e tablets aos motoristas. Muitos curiosos diminuíam a velocidade para escutar as ofertas. Quem presencia o fato, não tem dúvidas: o material é fruto de roubos e furtos.

“Eles também oferecem ao pessoal do posto de gasolina. Furtam celulares de motoristas desatentos, roubam nas ruas próximas e conseguem outras coisas não sei de onde. Mas todo dia tem oferta. Ontem mesmo (quarta) vieram com uma máquina fotográfica, oferecendo por R$ 35. Como ninguém daqui quis, acho que o garoto vendeu por R$ 20 mesmo”, contou um frentista, que assiste de camarote ao ‘saldão de ofertas’.

As vendas costumam ‘bombar’ nas horas de engarrafamentos, tanto pela manhã como à tarde. Nestes períodos, os clientes podem analisar melhor as mercadorias e conseguem barganhar preços. Os ‘comerciantes’, por sua vez, a cada venda, revertem todo o dinheiro obtido em pedras de crack. Por isso, na região, o fluxo de ‘formiguinhas’ — traficantes de pequenas quantidade de drogas — do Parque União é frenético e assusta quem passa.

Com um tablet na mão%2C frequentador da Cracolândia%2C na Maré%2C espera o momento de vender a mercadoriaEstefan Radovicz / Agência O Dia

Venda no meio da pista causa acidentes

Muitas vezes, quando a velocidade do fluxo de veículos diminui na Avenida Brasil, os viciados andam entre os veículos, colocando em risco não somente a própria vida, como a de motociclistas, por exemplo. “Na semana passada mesmo, um rapaz que tentava vender um celular foi atropelado por uma moto. O piloto também caiu e se machucou”, contou uma testemunha. Os ‘vendedores’ escondem os celulares em bueiros e buracos de muros.

PM diz que prendeu três 'vendedores'

Sobre o feirão de venda de produtos em plena Avenida Brasil, a PM informou que o 22º BPM (Maré) e o Batalhão de Policiamento em Vias Especiais (BPVE) “realizam constantes operações na Avenida Brasil e nos acessos à comunidade Parque União para reprimir a venda desses produtos”. Segundo a corporação, somente no mês de novembro, três pessoas foram presas por envolvimento neste tipo de crime.

Em nota, a PM diz que trata “a questão dos dependentes químicos do crack” como caso de Saúde Pública, e trabalha em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social no acolhimento destas pessoas que precisam de ajuda. Há menos de um mês, a Polícia Militar, com apoio da secretaria, recolheu cerca de cem pessoas na comunidade Nova Holanda, na favela da Maré, nos arredores da Avenida Brasil. Segundo a PM, os detidos seriam usuários de drogas e havia, entre eles, idosos, menores de idade, deficientes físicos e uma mulher grávida. Os usuários foram levados para o pátio do Batalhão da Maré, mas muitos conseguiram voltar para as ruas pulando os muros.

Segundo a PM, desde outubro de 2011 foram apreendidas mais de 200 mil pedras de crack no estado.

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