Por thiago.antunes

Rio - O coronel Sérgio Simões, secretário de Defesa Civil Estadual, afirmou em entrevista na tarde desta quart-afeira que a população precisa ficar atenta à forte chuva que caiu em todo o estado na noite desta terça e manhã desta quarta-feira. "As pessoas precisam entender que a chuva forte pode matar, portanto, devem obedecer aos avisos sonoros e sair de casa para locais seguros. A frente fria deve ficar de fraca a moderada nos próximos dias, mas o riscos de deslizamentos existem", afirmou Simões.

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"Desde a tarde de ontem (terça-feira), sabíamos da entrada de uma frente fria que, em razão do excessivo calor de ontem, poderia provocar chuva forte em todas as regiões do estado. Por conta disso, fizemos uma mobilização dos efetivos do Corpo de Bombeiros.A chuva forte se confirmou na Baixada Fluminense, especialmente em Nova Iguaçu, onde a quantidade foi de 180 milímetros em 24 horas. O sistema de drenagem não foi capaz de absorver essa chuva e o que vimos, não só em Nova Iguaçu, mas em São João de Meriti e Belford Roxo, foram grandes áreas de inundação", assinalou o coronel.

Avenida Tancredo Neves%2C no bairro Santa Eugênia%2C em Nova IguaçuDivulgação

Ainda segundo Simões, os locais que envolveram maior complexidade de trabalho no Rio foram Pavuna, Acari e Irajá, na Zona Norte. Em Realengo e Anchieta, ocorreram dois desabamentos, sendo que no primeiro, duas pessoas soterradas foram resgatadas. "O Corpo de Bombeiros concentrou esforços de 250 homens em socorros. Agora, iniciamos o trabalho de Defesa Civil", disse Simões.

Dilma oferece ajuda a Cabral e Paes 

A presidenta Dilma Rousseff ofereceu ajuda, nesta quarta-feira, para o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, no enfrentamento das fortes chuvas que atingiram hoje a cidade e diversas áreas do Estado. A informação é do Blog do Planalto, da Secretaria de Comunicação da Presidência.

Já existe em andamento uma forte parceria entre o governo federal e o estado no enfrentamento das calamidades públicas, especialmente na Região Serrana. Nesta terça-feira, a ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, reuniu-se com representantes federais e estaduais para discutir um balanço das ações de gestão de risco e respostas a desastre naturais na Região Serrana do estado.

Trânsito completamente parado por conta da forte chuva que atingiu o RioSeverino Silva / Agência O Dia

De acordo com o balanço, o governo federal e o governo estadual estão investindo R$ 2,3 bilhões em obras de prevenção, sendo R$ 1,7 bilhão do PAC. Para obras de dragagem, desassoreamento e canalização estão em andamento obras no valor de R$ 521 milhões com recursos do PAC. Em parceria com o governo estadual, outros R$ 229 milhões estão sendo investidos para contenção de encostas. Na área de habitação estão em construção 4.414 casas populares, sendo 4.206 do programa Minha Casa Minha Vida.

Prefeito pediu para população ficar em casa

O prefeito do Rio Eduardo Paes pediu para que a população evite sair de casa por conta do temporal que ocorre na cidade desde a madrugada desta quarta-feira. Ele reconheceu que há pontos que, segundo ele, "tradicionalmente dão problemas", mas que a situação na cidade é calamitosa. "As pessoas devem esperar a chuva passar um pouco e evitar pontos de alagamento e bolsões d'água".

Homem carrega mulher grávida do colo na Avenida Gomes FreireEstefan Radovicz / Agência O Dia

Em relação ao alagamento da Avenida Brasil, o prefeito disse que ainda não sabe explicar o motivo de via ter alagado. Sobre o alagamento da Via Binário, na Zona Portuária, nas proximidades da Cidade do Samba, Paes disse: "Sabemos certamente que a área do Porto não está totalmente pronta. Temos bombas instaladas na Via Binário, para escoar essa água".

Eduardo Paes avaliou a chuva desta manhã. "Agora, estamos numa situação melhor. A chuva diminuiu bastante, em relação à madrugada, quando tivemos mais transtornos.

Sobre as sirenes, que foram acionadas em diversas comunidades, o prefeito explicou: "Quando a sirene toca é porque existe risco de desabamento e a pessoa tem que deixar a sua casa e ir para um ponto de apoio para se proteger". Cerca de 15 ou 16 sirenes, instaladas em comunidades da Zona Norte, tocaram, mas ainda não há notícias de desabamentos nessas áreas.

Muro da Estação Piedade desabou por conta da forte chuva que atingiu o estadoFabio Gonçalves / Agência O Dia

De acordo com o Corpo de Bombeiros, pelo menos cinco equipes trabalham em ocorrências de desabamentos nesta quarta-feira após a forte chuva que atinge o Rio. De acordo com a corporação, há militares trabalhando em Realengo, na Zona Oeste, Anchieta, na Zona Norte, e em Nilópolis e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Há registro de quatro vítimas resgatadas do locais.

"A nossa missão é salvar vidas", diz secretário de Conservação

O secretário municipal de Conservação Marcos Belchior também comentou sobre o alto índice pluviométrico que foi registrado, principalmente na região da Tijuca e em outros bairros na Zona Norte, além de Jacarepaguá, na Zona Oeste. "Temos comunidades mapeadas e, embora nos preocupemos com o trânsito e com os bolsões d'água, a nossa missão, a missão da Prefeitura é proteger e salvar vidas", afirmou.

"As obras da Praça da Bandeira serão concluídas em 2016 e, como a região está abaixo do nível do mar, é normal que aquela região alague. No entando, toda obra na cidade tem foco na drenagem", falou.

Rua totalmente alagada em São Gonçaloleitora Rosecly Laureano

Ele explicou o alagamento da Via Binário: O nível subiu acima do normal e as 15 bombas não conseguiram extravasar essa quantidade de água. Caiu um volume atípico de água. A forte chuva teve duas fases, às 23h de terça e às 5h55 desta quarta-feira. Além disso, a geografia da região ajuda", disse ele.

Resgate

Em Realengo, pelo menos duas pessoas foram retiradas da casa 368 na Rua Euclides Roxo. Os soldados ainda procuram por outras vítimas. No bairro de Anchieta, bombeiros do Quartel de Guadalupe foram acionados para uma ocorrência de desabamento na Rua Leni Liberato da Silva, número 50. De acordo com informações dos militares, uma vítima foi socorrida. Bombeiros prosseguem com o trabalho de busca.

Entrada da Universidade Veiga de Almeida%2C na Rua Ibituruna%2C na Tijucaleitora Carolina Leão

Na Baixada Fluminense, em Austin, em Nova Iguaçu, militares foram acionados para um desabamento na Rua do Alto, no Morro da Moenda. Uma pessoa foi resgatada do local, mas os bombeiros ainda trabalham no local. Em Nilópolis, ninguém ficou ferido no desabamento na Rua Sargento Manoel Rodrigues. A Defesa Civil municipal assumiu a ocorrência.

Sobre a interdição da Radial Oeste, em função de vários bolsões d'água, Paes disse: "Enquanto o desvio do Rio Joana não estiver pronto, essa situação irá se repetir. Estamos construindo cinco piscinões naquela região, como, por exemplo, nas praças Varnhagem e Niterói", falou.

Buscas por pedreiro desaparecido em Nova Iguaçu

Bombeiros do quartel de Nova Iguaçu reiniciaram no início da manhã desta quarta-feira as buscas pelo pedreiro Martinho Mesquita da Silva, de 50 anos. Ele desapareceu na noite desta terça-feira no bairro Rodilândia, em Austin, na Baixada Fluminense, após o transbordamento do Rio Botas, que inundou várias ruas da região. Há suspeita de que ele tenha sido arrastado pela enxurrada.

De acordo com o Sistema de Alerta de Cheias do Instittuto Estadual do Ambiente (Inea), o Rio Botas está em alerta máximo de transbordamento, assim como o Rio Pavuna, em São João de Meriti. O Rio Sarapuí, que corta quatro municípios da Baixada Fluminense está em estado de Alerta. Já os rios Capivari, Iguaçu, Saracuruna, entre outras, estão em estágio de Atenção.

Uma equipe foi acionada para um desabamento na Rua Euclides Roxo, em Realengo. Ainda não há maiores detalhes sobre vítimas ou do que exatamente desabou.

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